Diário de Estágio – Dias Finais | Parte final, mesmo.

Quando você olha para algum momento do passado, é engraçado. Quando penso como eu era no meu primeiro semestre da faculdade é no mínimo cômico, talvez até trágico. Dos discursos tolos que eu carregava inclui-se “não gosto de falar sobre política” ou, o clichê-mor, “político nenhum presta”. Quando havia (e sinto que em breve terá) greve dos professores, obviamente eu só via o lado ruim da coisa e não os direitos pelos quais eles lutam. Inclusive, ficava (e fico) na minha zona de conforto, sem ajudar, efetivamente em nada. Tola, eu sei. Agora sou um pouco menos. Uma das últimas coisas que aprendi nesse estágio foi a importância de saber, mesmo que minimamente, sobre política. Como se posicionar diante dos gestores e como cobrá-los.

Os funcionários da Unidade I do Adauto Botelho – Ala Feminina, protocolaram em várias instâncias um documento com “cunho de denúncia, moção de repúdio ao Governo do Estado e de posicionamento dos servidores que se viram na  responsabilidade de encaminhá-lo a diversas instâncias diante da situação de desesperança e abandono”. Tal documento possui 19 itens que reivindicam melhores condições de trabalho e direitos mínimos para os seus usuários.

O documento teve adesão dos funcionários públicos da referida unidade, aqueles que eu injustamente julguei, de maneira generalizada, que não gostam de trabalhar. Além disso, essas mesmas pessoas perceberam que era preciso ir além. Que esse documento não podia se perder, mais uma vez, em meio aos processos burocráticos. Sim, foi preciso ir às ruas. E foi lindo. Teve calorzão, teve não só os funcionários da Unidade I, mas como de todas as Unidades que compõem o CIAPS. Ah, teve eu e os meus colegas de curso e outros estudantes também. Saímos de uma praça e fomos parar na Secretaria do Estado de Saúde. Chamamos o Secretário e ele não estava. Porém, houve a conquista de uma reunião para que as Unidades fossem lá, falar sobre os documentos e exigir os direitos mínimos.

Não sei muito bem os desdobramentos disso. Porém, saí da zona de conforto por um momento. No final, aprendi que a vida também é feita disso: rompimentos. Aprendi, que se eu me iludir que em qualquer campo de trabalho que eu me inserir eu irei precisar só  dos conteúdos tido em cinco anos de curso, é pelo fato de eu ser uma completa idiota. Aliás, é sinônimo de que eu não aprendi absolutamente nada.

Fica aqui o meu muito obrigada, mais uma vez, aos funcionários da Ala Feminina. Em especial a Profa. Veline que arregala os olhos por causas justas e os fecha ao sorrir. Com vocês me inspirei, aprendi um pouco mais e ganhei vontade de insistir um pouco mais em questões que permeiam a saúde mental, principalmente em nosso município.

Para quem leu, até aqui, obrigada também. Espero de alguma forma ajudar e fazer com que percebam que cada passo dado não é em vão. Principalmente que lembrem-se de mergulhar nas coisas ou em algumas delas, e voltar para superfície só quando o oxigênio realmente está no final.


Esse relato é referente ao Estágio Básico em Contextos Clínicos e de Saúde, realizado durante o 6º semestre do curso de Psicologia na Universidade Federal de Mato Grosso – Campus Cuiabá. O local de estágio é o Centro Integrado de Assistência Psicossocial Adauto Botelho – Unidade I – Ala Feminina. A orientação e supervisão de estágio é dada pela Profa. Ms. Veline Simioni Silva.

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