Um querer: sensibilidade.

Início de uma tarde. A primeira gota beijou a terra e isso foi o suficiente para respirar fundo e sentir o melhor dos odores: chuva molhando a terra. Beijo bom em meio aos dias tenebrosos de intenso calor,  que queima e dá ardência. É preciso beijos mais suaves, que parecem durar a eternidade suficiente para acolher e dar prazer.

No próximo período do mesmo dia: sábado a noite. Das possibilidades? sair com os amigos e aproveitar a vida que não exige prazos e, para uma certa população, não exige limites. O receio era grande de sair. São outros os espaços valorizados e importantes atualmente. Aqueles em que há uma agenda a ser cumprida, sem escapatória. Cobranças.  Sufoco sem prazer.  São os espaços que prendem e não deixam brechas para perder-se em meio a outros espaços.

Tolice: achar que aprendemos somente nos espaços destinados a educação-ensino. Ganho: querer perceber as sensibilidades e sutilezas que nos afetam a todo momento e, olha que interessante, nos ensinam bem mais que qualquer outro lugar restrito. É preciso desligar, talvez, do bombardeio de problemas e questões que borbulham em seu corpo, dos fios de cabelo aos dedos dos pés. É preciso desligar as vozes, aliás, da sua própria voz que insiste em falar, em te trazer questões que você não quer resolver, por hora. Em te trazer os “e se…”. Esse circuito pode ser vicioso, porém, tem como fugir.

É incrível permitir-se a essa tal sensibilidade. Aprender com pessoas que nem imagina, sobre qualquer coisa, sabe?. Despertar para coisas que antes era despercebidas, naturalmente ignoradas. Olhar para a constituição de cada um e perceber que a vida é sim difícil e que essa é toda a graça, para alguns, a desgraça. Gargalhar alto e até a barriga doer, sim. Quem te impede disso, onde está escrito que não? Distribuir sorrisos, abraços, beijos. Criar vínculos. Reconfigurar outros. Fortalecer os de sempre. Agradecer pela felicidade que é constante e ter energia revigorada.

Outro dia: retorno ao circuito vicioso. Não é o mesmo circuito, entende? Você consegue retornar aos mesmos problemas, mas deslocada de um pensamento repressor e de julgamento. Saint-Exupéry foi esperto ao escrever que cada um é responsável por aquilo que cativa, há controvérsias quanto a isso. Porém, gosto mais de perceber, cada vez mais, que o essencial é invisível aos olhos.

É preciso olhos na boca, nos ouvidos, na pele e no nariz. Em um mundo visual falta explorar os outros sentidos corporais, potentes e imprescindíveis para viver (ou seria sobreviver?). Enfim, aprender é a provocação diária para mover, questionar e agir, não acham? Eu sim. Dói, sabe… mas não é só pelo amor que se constitui uma vida.

Quero doses de sensibilidade. E que assim seja.