Quatro dias-anos.

Não discuto

não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino

Leminski.

Foi domingo passado quando a queda veio. Quando os olhos tornaram-se fonte de água que jorravam sem interrupção alguma, de desespero, medo, insegurança, sofrimento. Foram quatro intensos dias. Dias esses em que sofri tanto e me descobri tanto que, quatro dias pareceram quarenta anos.

Descobri minha pequenez. Aceitei da forma mais dura que não dou conta do mundo. Reconheci com quem posso contar, desaguar, inundar e voltar ao mundo. Perdi o medo do choro. Esbarrei nos meus, ainda, limites. Quis fugir. Desistir. Partir sem rumo e sem satisfação. Quis estalar os dedos e ver tudo resolvido. Quis me desculpar por falhas previsíveis. Quis desabar mais um milhão de vezes, mas com o passar dos dias não tinha mais lágrimas ou forças para isso. Das vontades, a única era de que tudo acabasse logo, de chegar em casa e aproveitar cada cantinho do meu ninho.

Foi tanto em meio ao pranto que descobri o prazer da gratidão. Cada pessoa, cada momento, cada crise, cada gole de cerveja, cada sorriso e cada lágrima foram duros e de intensoimensoprazer, assim, tudojunto mesmo, pois não foi só eu, foi todomundo. Fico tão grata por reconhecer cada pessoa que está ao meu lado, mesmo. Seja para me dizer “você é ótima” ou para dizer “talvez você tenha que parar, pensar, escolher”. Fico tão grata por estar em meio a pessoas que às vezes eu só quero que sumam, de tão desnecessárias que são, e mesmo ela já dizem tanto para mim, sobre mim. Grata, pelas pessoas que não sei quem são, que são mistério, tédio, crueldade, solidão e paixão. Descobri fortalezas escondidas, risos incontidos e sim, outros tantos prantos. Sou fiel ao clichê que no final, é só você contra você mesmo. E, estar contra mim me deixa assim diante do desconhecido que me assusta. Diante do incontrolável que eu quero controlar, como a mais tola de todos no mundo.

Aprendi, nesses dias-anos que eu preciso tomar decisões, definitivamente. Decisões, que mesmo pequenas, são difíceis. Porém, como aprendi nesses dias “são difíceis até serem tomadas, Van”. Começar de novo um novo que eu não esperava, sigo. Pois, depois de tanto pranto, de tantas dores e de tantas questões, que venham os risos, mesmo em meio aos prantos.

Quatro dias-anos, inesquecíveis. E por eles, com eles, grata. Sempre.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s