Ei, é para você mesmo.

Olá,

Se você está lendo isso aqui, é porque de alguma forma já conviveu comigo. Já me disse “oi” em algum corredor, balada ou cruzamento da vida. Bom, espero que você vá até o final. Se me conhece de alguma forma, sabe que não sei escrever pouco quando é para alguém importante, de alguma forma, para mim.

Nos últimos meses tenho pensado incansavelmente em quem eu sou. E a cada questão que chego, e a cada vazio meu que encontro, sempre tem alguém com o qual convivi que eu me lembro. O riso, o abraço, a amizade que se acabou por alguma razão. Dessas coisas inexplicáveis, sabe? Algo que nos afastou e que teimamos dizer que é a rotina, mas será que é só isso mesmo? Não sei.

Nesses últimos meses eu aprendi sobre uma palavra: a gratidão. Eu sei, nesse momento você que está lendo deve pensar: ah, não Vanessa (vanvan, vane, van, vanessinha, gordi, ander, tóbis, tranqueira (e qualquer outro apelido)) essa história de gratidão, de novo? Clichê. Desculpa, você que está lendo, seria muito clichê se eu só falasse sobre isso e não sentisse. Mas, as coisas que sinto ultimamente, além de dor, alegria e alguma confusão sempre vem permeada por gratidão.

Agradeço, imensamente a todas as pessoas que passaram (e sim, deixaram um pouco delas comigo). Muitas vezes foi amor, sabe? Desses que eu nunca disse. É, a friendzone existe e muitas vezes pode doer (e o outro nem saber). Pois, colocamos as pessoas em posições na nossa vida que elas podem perceber, mas não sabem a intensidade disso. E, sério, já desisti de achar que bola de cristal existe e que intuição sempre funciona. Ainda sobre o amor, ele não tem regras, então eu considero amor na minha maneira de ver, aceitem isso. Juro que não digo que amo na mesma frequência em que digo bom dia. Até porque, você que me conhece, sabe que eu prefiro fortalecer a imagem de grossa e mal humorada do que toda a minha fragilidade. Aos amores que nunca souberam que foram amores, obrigada.

Obrigada você, que de alguma maneira eu decepcionei por não estar ali, mesmo prometendo em várias cartas que você dever ter recebido de mim. Obrigada você que hoje faz parte da minha memória, sejam com histórias boas ou ruins. Obrigada você que nunca foi “amigo/a íntimo/a” mas, quando me encontra em algum lugar, me dá um sorriso e e um abraço que eu percebo não ser “só por educação”: vocês não imaginam o quanto isso é maravilhoso e o quanto isso me deixa feliz.

Você que me ignora quando mando alguma mensagem inbox, obrigada também. Odeio ser ignorada e isso pensei que fosse claro para você, mas tudo bem. Dói, sabe? Mas entendendo que talvez eu não faça mais parte da sua vida e isso, de forma alguma, anula o carinho e sim, a gratidão, por você ter feito parte em algum momento da minha vida.

Uhum, vocês com quem eu não falo tanto e que eu me reduzo a um “oi, tudo bem?” e qualquer assunto que a gente sempre fala. Você que já fez parte, em algum momento, de todos os dias e horas da minha vida e agora não mais. Você que vez ou outra aparece e quer saber como estou ou eu vou atrás com algum drama: obrigada.

Quem nunca desistiu de mim: obrigada (pra caralho) por nunca abandonar. Por brigar comigo e fazer eu sair do meu mundinho e mostrar que é melhor conversar do que ficar emburrada. Que é melhor aceitar o espaço do outro do que ficar insistindo em ter uma conversa (as clássicas DR de amigos que é uó), apesar de ser só assim que as coisas se resolvem. Mas, no momento de cada um, viu? Como disse ali em cima, já sei que não há bola de cristal, que é melhor conversar, mesmo depois de um tempo, com a cabeça no lugar.

Quem ainda não me conhece: talvez, você vai ter medo como algumas das pessoas que já me conheceram. Mas, não fuja. Me mostra que eu não preciso me manter armada para evitar qualquer mágoa. Eu sei que você não sabe o quanto sofri, quantas lágrimas derramei e por isso mesmo é alguém que não conheço, mas posso ser babaca e carregar fantasmas do passado. Talvez demore um tempo, mas você vai perceber que não vivo de cara amarrada o tempo inteiro (mas, mal humor é inevitável, desculpe).

Vocês, que hoje participam mais da minha vida e me aceitam do jeito que sou: obrigada. Você são incríveis e me ensinam sobre o que eu sou. Espero continuar aprendendo, sempre com vocês, independente das nossas idades, orientação sexual ou gosto musical.

Obrigada se você leu até aqui. Confesso, me sinto muito sozinha. Mas, passo a perceber que de uma forma ou de outra tenho com quem contar e aprender, cada vez mais, sobre o sentido de dizer obrigada e que isso não se reduz a coisas boas OU ruins, mas sim a coisas boas E ruins.

Que vocês também possam perceber sobre as pessoas que passaram, continuam e passarão pela sua vida e entender que você é o que é hoje por causa de muitas delas, das relações estabelecidas e como você se constitui a partir delas. Você vai perceber que muitas coisas do que você é hoje, foi sozinho/a e que isso não tem problema algum. Porém, acredito que é incrivelmente mais gostoso quando você é o que se é com alguém querido por perto.

Bom domingo, se isso for possível.

Beijos, Van. 🙂

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Um comentário sobre “Ei, é para você mesmo.

  1. Pingback: Escrito sobre amizade e não só | Blog da Van!

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