Quinta-feira

Quinta-feira
Você chegou como quem não quer nada e antes disso eu já planeja as desculpas que eu daria no seu dia. Sim, desculpas para deixar pra lá o que eu poderia deixar pronto, essa sou eu e mais milhões de pessoas, cada uma com seu motivo.

Quase no fim de uma semana. E, os “quases” quase me matam (sinceramente, acredito que em algum momento mataram algumas coisas necessárias). Percebi a minha ansiedade, mais uma vez , me corroendo. Percebi, assim como ontem, e como em todos os outros dias nos últimos meses, que eu não posso querer as coisas prontas e resolvidas com um estalar de dedos. E, que uma hora ou outra elas acontecem. Talvez haja mesmo alguma força cósmica, superior que organiza as coisas de uma maneira que fique melhor e no momento certo e você tem que aproveitá-lo e isso basta.

E daí, outras coisas acontecem. Um livro chega. Você percebe que a pessoa que o vendeu para um Sebo preferiu não dar bola para os rastros de afeto nele. Percebe que algumas coisas que estão estranhas podem ser coisa da sua cabeça, ou não. Porém, algumas coisas precisam de um tempo para serem elaboradas e, talvez, verbalizadas.

No final, a chuva veio. Calma, para deixar o cheiro de terra molhada que eu tanto amo. Respirar fundo e purificar o pulmão, a alma e o coração.

Obrigada por não ser uma Quinta, de quinta, Quinta.

Beijos, Van.

Quarta-feira

Quarta-feira
Quando chega o terceiro dia útil da semana eu já começo a pensar em como será o final de semana. Desculpa, quarta-feira, não é nada pessoal. É só que a semana já está na metade, eu estou exausta e quero descanso. (mesmo sabendo que meus planos são estudar).

Geralmente, você é dia de reunião, pós-vida-de-universitária. Listas e mais listas de coisas para fazer. O que falta? O que já temos? Qual é o próximo passo? Quem faz isso? E aquilo ali? E, apesar de querer muito que o final de semana chegue, são em momentos assim que eu comecei a perceber, realmente, que tipo de pessoa eu sou, ou estava sendo durante muito tempo.

Muitas vezes me coloco em uma posição em que me sinto confortável: a de mandar, de querer controlar, mesmo sabendo que as coisas acontecem sem a minha permissão. Foram nesses momentos que eu  comecei a me relacionar mais com as pessoas, especificamente com grupos: e ó, isso é muito difícil até hoje para mim. 1) Elas apontam ou deixam transparecer de alguma maneira os meus defeitos; 2) As coisas nunca saem exatamente do jeito que eu quero e 3) Conviver com as pessoas é um exercício, por mais que você goste delas.

Esses aspectos tão meus passaram a me incomodar. Quando você é seu próprio incomodo, dói. Perceber que as relações entre os egos são necessárias, que essas atitudes que às vezes demonstram fortaleza, na verdade são a minha maior fragilidade, ah! como dói. Me permito sentir essa dor agora, sem precisar fugir dela ou achar que o mundo está errado e que ele deve me mimar (síndrome de filha única). As coisas não funcionam assim e entendi que não tem problema nenhum nisso.

Sabe, quarta, na turminha do Peanuts  tem a Lucy. Ela diz em algum momento o seguinte

Se todo mundo concordasse comigo todos teriam razão.

Eu ainda penso isso em alguns momentos, mas é ouvindo “não, eu não concordo com você” que eu consigo sair do meu mundo e conhecer outros.

Acho que com você, foi isso.

Tchau, e pode me retirar do meu mundo nos próximos dias que você chegar.

Beijos, Van.

Terça-feira

Terça-feira
Sinceramente? Não sei muito sobre você. Pensei um pouco sobre coisas que aconteciam e acontecem na minha  terça-feira e, bem, a priori nada interessante. Porém, como várias coisas que acontece ultimamente, houve pequenos prazeres e sustos durante você.

Como deve saber ultimamente me questiono muito. Digo que vou mudarem determinado aspecto para cinco minutos depois fazer o que eu gostaria de mudar. Mas, em meio a essas questões que me faço, acabo por ficar mais sensível. Não só com as lágrimas que saem mais facilmente, mas também perceber um pouco mais sobre as relações. Perceber pequenas notícias e ideias legais em um dia chato (no caso, você). Perceber, de fato, que talvez as nossas funções na vida do outro podem ser substituídas, mas o afeto não.

Perceber que algumas horas de conversa jogada fora são fundamentais, porém as conversas sérias, ah! essas são imprescindíveis. Perceber que algumas aulas te sugam e quando se assusta, já está no “caminho da roça”, novamente. O ir é tranquilo e distraído. Uma surpresa te espera: a possibilidade de um assalto. Susto e desespero. Pensar rápido. Ficar incrédula. Passou. Encostou a cabeça no travesseiro e sonhou.

Você foi assim terça-feira. E que continue sendo um dia de descobrir, perceber. Avise aos seus outros amigos dias da semana que quero isso neles também. Obrigada.

Beijos, Van.

Segunda-feira

Segunda-feira
Início, geralmente é esse o clichê. Início da academia, de um novo emprego, de uma nova dieta. Colocar as coisas em dia, organizar o resto da semana. Dia de reclamar, e muito. Algumas pessoas, minha cara, se questiona se você a odeia também, sabia? Achei isso engraçado.

Nunca me percebi muito feliz com você, já que não levo meus inícios adiante, muitas vezes. Geralmente, você me contempla com aulas a tarde e a noite. E sim, muitas vezes são as aulas mais intensas, pesadas e que sugam energias. Você poderia fazer algum acordo com o mundo e deixar esse dia mais leve?

Tá, já sei qual é a resposta. Ser mais leve, ou não, depende muito de como encaramos os fatos. Talvez se a expectativa não existisse, saberíamos viver melhor. É, expectativa é uma coisa da qual é necessário me livrar. Mas, talvez se a falta que tanto sentimos de tudo, mesmo podendo tanto, fosse menor, você seria mais fácil de encarar, não acha? Mas tem dias, nobre segunda-feira, que não dá.

Parece que o mundo decide desabar no seu dia. E, quando isso não acontece, é possível desconfiar e questionar: está tudo bem mesmo? (viu, de novo, a falta parece constante). Mas, às vezes quando as coisas saem do eixo, nos leva a algum lugar melhor, feliz, calmo e inesperado. Nos leva a sorrir e ser feliz, simplesmente.

Você, Segunda-feira, ultimamente tem sido um dia importante para mim. Na oitava hora do seu dia resolvi me entregar por 40 minutos, semanalmente. Feridas inflamadas ficaram expostas. Doeu tanto, mais tanto, que você não tem ideia. Lágrimas caíram. Questionamentos rondaram e ainda rondam. Me descobri mais. Algumas das minhas máscaras caíram. Aprendi a encarar o sofrimento e  a angústia e perceber a minha pequenez, a minha carência e a vontade de agradecer por cada misero momento. Teve dias que só consegui sentar em algum canto e deixar toda a dor se esvair. Eu aprendi a ser mais leve e confiar mais nas pessoas que gostam de mim, cuja a recíproca é válida.

Ah, como aprendi. Aprendi que sou uma tola controladora. Aprendi que não tenho controle de nada. Aprendi que a intensidade talvez seja meu primeiro nome e que o equilíbrio é algo que eu almejo. Aprendi muito, porém tenho muito, muito mais a aprender.

Que eu leve mais tombos e me perca. Que eu levante. Que eu sorria e derrube lágrimas. Que eu viva, me equilibre e se preciso for, desequilibre.

Você, segunda-feira, terminou.
Colocou vários pingos em alguns “is” perdidos por aí. Cicatrizou algumas coisas. Deixou algumas feridas para serem, de fato, curadas. Algumas outras ainda estão inflamadas, mas há tempo que, felizmente, não é regulado pelas 24 horas que marcam a sua existência, segundona (sim, sou íntima).

Tchau.
E, por favor, não se esqueça de me trazer a paz e o desespero, sempre.
Ah, quando sair, apague as luzes (a claridade me incomoda, um pouco).
Obrigada, Van.

Domingo

Domingo
Mais conhecido pelos brasileiros como o dia do churrascão com amigos. Oportunidade daquele almoço com a sua família buscapé que você não escolheu ter, mas vive na eterna relação de amor e ódio com ela. Ou, mundialmente acredito eu, conhecido como o dia do tédio.

Acredito que domingo seja dia de missa, de cinema com amigos ou namorado (a). Acredito que seja o dia de espreguiçar na cama ou numa rede na companhia daquele livro que você não encontra tempo na semana para ler. É o dia de assistir série, filmes ou de não fazer absolutamente nada. É dia de aconchego, na cama, no chuveiro ou na praia.

Domingo é o dia que você pensa na semana que passou, nas coisas que tem para fazer e no dia de amanhã. E, se for um domingo como hoje, você pensa em como será o seu próximo mês (caso seja alguém que ama ficar pensando nas mil coisas que têm para fazer). Domingo já pode ser segunda-feira e daí você já organiza a mochila ou faz alguma coisa das “coisas para fazer”. Você finaliza ou começa um trabalho. Escreve um e-mail. Organiza alguma coisa aqui ou ali.

Domingo, é um bom dia. É um dia-preguiça, em que eu passo a maioria das horas dormindo e, quando acordo, abro a janela e vejo a lua e só consigo dizer: bom dia. E, pensando nisso, começo a pensar que seja um bom mês: com boas notícias, com um passo para frente, comemorações, realizações e, literalmente, mudança.

Bom, domingo e até segunda.
Beijos, Van.