Sapatos novos

sapato novo

Olhei o comodo em que eu guardava todos os meus poucos sapatos. Estavam gastos, sujos e um pouco fedidos. Cada um trazia marcas, memórias de um lugar em específico. Eram lembranças de um momento, de  como me sentia quando os usava e o por quê de ter alguns, mesmo que não me sirvam mais.

Fui até a dispensa, peguei um saco preto e joguei todos aqueles que não queria dentro. Falei:

– Mãe, esses são para doação ou para jogar fora, a senhora escolhe. Mas, não quero nenhum de volta ao meu comodo…

Ela ficou a me olhar com uma cara que queria justificativas para aquele comportamento. E eu só queria me libertar de coisas passadas. Peguei o cartão, fui até a loja e comprei sapatos novos.

Sobre os sapatos novos…
Quando os experimentamos na loja eles parecem maravilhosos, confortáveis e que vai combinar com as roupas do seu guarda-roupa (que por sinal também precisa ser renovado). Eles são cheirosos, não tem marcas de usos e nem estão completamente adaptados ao formato do seu pé: estão prontos para ir com você para qualquer lugar.

Eles vem em caixas, arrumados e embalados. Você pode parcelar em 6x sem juros no cartão e usar ele a vida inteira ou uma vez. Pode parecer que não, pela carinha simpática que eles apresentam em um primeiro momento, mas eles podem machucar o seu pé. Eles criam bolhas nos dedos, nos calcanhares. Se forem altos, fazem os pés doerem, adormecem as pontas dos dedos e no dia seguinte ainda há efeitos disso. É, eles podem não combinar com nenhuma das suas roupas.

Passará o tempo e alguns terão se adaptado ao seu pé, e você a eles. Você terá gostado tanto da companhia deles que vai sentir pesar ao se desfazer. Talvez, você nem usou tanto aquele salto lindo na balada, porque agora você prefere conforto a elegância. Mesmo assim quando o usou seu ego ficou tão alto quanto ele e essa sensação foi maravilhosa.

Pode ser alto ou baixo. Claro ou escuro. Clássico ou cool. Sapatos são sapatos: carregam cheiros, marcas, lugares… compartilham histórias, criam histórias, estão com você pelo simples fato de você ter escolhido eles. Sim, uma escolha que requer investimento monetário, mas mesmo assim uma escolha.

Escolhas são assim: por meio do dinheiro ou não, você só vai saber o que vai ser se escolher levar para casa, para vida. Escolhas são sapatos novos: para tê-los você teve que se desfazer de algum, ou encostar em algum canto aquele outro. Escolha é questão de ir, com bolha, com chulé, com esperança, com vontade de algo novo. Escolha é experimentar, talvez se iludir em um primeiro momento ou não. E se você notar que não está feliz com essa escolha, que ela não valeu o investimento é fácil: pegue um saco, coloque o que não vale a pena dentro e libere espaço para novos sapatos na sua prateleira.

Às vezes precisamos apenas de novos espaços para coisas novas e não vai ser ninguém que vai escolher o que entra ou o que sai: ter um sapato novo ou não é uma escolha sua, mesmo que ele seja um presente, você escolhe se vai ficar com aquele ou não 🙂

E, qual vai ser? Vai sair às compras, vai esperar mais um pouco ou vai desapegar?

Links da semana

links da semana

A mais furona do universo voltou. Semana passada gostaria de bombardear isso aqui com links sobre o “impitima”, mas não consegui por motivo de: não estava tão afim assim. Porém, essa semana tem coisas legais para mostrar, vamos lá?

1.  Oliver Sacks – Minha Própria Vida
Costumo (re) conhecer pessoas importantes depois que elas morrem, tipo Eduardo Coutinho ou Gabriel Garcia Marquez. Com Oliver Sacks bateu na trave. Já vi frases dele circulando pelas redes sociais e o seu nome não me é estranho, mas nunca entrei em contato com nada feito por ele ou a partir dele. Porém, curto a página do Pablo Villaça do Cinema em Cena no Facebook e todo (ou quase todo) domingo ele indica uma série de filmes que tem no Netflix. Em uma dessas listas tinha “Tempo de despertar”,  me chamou atenção, assisti. Li um texto que Pablo escreveu sobre o filme e a influência dele e de Sacks em sua vida. Descobri por ali que Sacks está com um câncer terminal e escreveu esse texto maravilho, sereno e sensível. Acredito que vale muito a pena.

Quando as pessoas morrem, não podem ser substituídas. Elas deixam buracos que não podem ser preenchidos, porque é o destino – o destino genético e neural – de cada ser humano ser um indivíduo único, achar seu próprio caminho, viver sua própria vida, morrer sua própria morte.

2. Praticar um olhar generoso | Exercícios de Empatia, 1
Morar sozinha, mesmo que por um período, foi uma escolha. Dentre elas envolve uma certa esperança em mudar, amadurecer e me conhecer, reconhecer… Gosto  muito das matérias do Papo de Homem, e essa me chamou à atenção (assim como várias outras). Alex Castro propõe uma série de exercícios para ajudar nesse autoconhecer, ser mais empático e generoso. Ele não se posiciona como senhor detentor de todo o saber, afirma inclusive que “O único dedo que aponto é para o meu próprio reflexo no espelho. Sempre.”. Gostei da leitura e dos incômodos provocados, porém parei no primeiro exercício, ainda. E você, quer praticar um olhar generoso?

3. Não brinquem com nossos corpos
Quando o corpo e sua relação com ele passa a ser uma questão é mais tranquilizador ler opiniões verdadeiramente sérias sobre o assunto, como aborda Mariana Zappa no blog Modices.

4. Sobre protestos, mudanças e respeito
E se eu tivesse escrito algo sobre os protestos do dia 15 de março, gostaria que fosse semelhante a opinião da Paula, do Não Provoque: leve, simples e sério.

5. O fazer com o dinheiro #empreendedorismo
Sei que o Felipe Neto não é o cara mais amado deste Brasil. Tenho algumas opiniões que divergem da dele, porém adorei esse vídeo que ele fez sobre empreendedorismo. É uma linguagem simples e muito ilustrativa do que fazer com o seu dinheiro, seja ele cem ou mil reais, entende?

6. Dicas para fazer sua grana render até o final do mês
Quem mora sozinha tem que fazer a grana render. Eu sou totalmente descontrolada com isso e estou me policiando e me educando financeiramente. Toda ajuda é válida. Assim como esse post da Fran.

Boa semana para vocês.
Beijos, Van.

Filme: Wild

Não sou dessas que sei falar sobre filmes, sobre seus enquadres e quão foda é o diretor ou não. Enfim,  não sou uma crítica de cinema e nem quero ser. Porém, é tão bom escrever sobre aqueles filmes que te tocam de alguma forma não é? Estou muito numa faze de pensar que “se faz sentir, faz sentido”, então…

Vi sobre esse filme na minha timeline do Facebook, alguém dizendo que precisava assistir. Li a resenha e desencanei. Eis que conheci o Popcorn Time e ele estava lá, lindo e belo para eu assistir.

Se você ainda não conseguiu desligar a imagem de Reese Witherspoon da sua personagem em Legalmente Loira, chegou a hora. Resse interpreta  Cheryl,  uma mulher que resolve deixar para trás seus fantasmas e dramas para buscar se conhecer, saber quem de fato era.  Em meio a trama, o drama e os 1.770 quilômetros da trilha que atravessa, na costa oeste dos Estados Unidos, Cheryl conhece pessoas diferentes, se assusta e vai lembrando de algumas situações que a impulsionaram a sair por aí.

Impossível assistir o filme e não se lembrar de A natureza selvagem. A solidão, as descobertas, as sutilezas da natureza e suas armadilhas: acredito que isso faz parte da composição dos dois filmes. Quando assisti A natureza selvagem foi legal, sabe? Era início da faculdade e como era para algum trabalho, prestei atenção em partes específicas. Foi diferente a experiência com Wild.

Ambas as histórias são baseadas em fatos reais. Mas, o mais real disso, é que o questionamento trazido por Wild me atravessa. Quis ficar só por um período de tempo. Estava de saco cheio das coisas da vida, tinha que colocar uma mochila nas costas, lidar com os meus medos e arrancar a minha própria unha depois de usar por dias um sapato desconfortável. Tinha que me virar no avesso e ver qual lado seria o certo, se é que há lado certo. Quando os filmes, mesmo que mornos, me deixam com questões, me fazem sentir alguma coisa, eles já merecem algum tipo de atenção.

Quer um filme para um sábado a noite sem nada para fazer? Curte um filme dramático e lento? Gosta de frases de impacto e belas paisagens? Bom, se joga então. 🙂


Título original e brasileiro: Wild | Livre
Ano: 2014
Diretor: Jean-Marc Vallée
Gênero: Biografia e Drama
País de Origem: Estados Unidos
Avaliação: ★★★☆☆

Para sair e sentir, sempre.

Mesmo com desconfiança saiu de casa. Afinal, não tinha o que se perder, apenas o contrário disso. Foi, viu flores e frutos. Sentiu cheiros e gostos. Sentiu frio. Medo também. Viu pessoas na rua que não tinham uma casa para voltar. Passou no meio de uma turbulência de pessoas falando ao mesmo tempo e ouviu o ecoar de um “ooooolhaaa o limão, o mamão e o melão! vai querer?”

Sentiu os próprios passos. Era como se a textura do chão ficasse impresso nos seus pés calçados. Sentiu o vento, que arrepiou o pelo e terminou em um esfregar de braços, um quase auto-abraço. Parou. Olhou de um lado para o outro e viu se poderia atravessar. Ao invés de olhar para frente, olhava para cima: gosta de ficar admirando o céu azul e as combinações que os prédios, árvores, pássaros, gente, suor e pele faziam com ele.

Ofegou. Subidas podem ser (e são) drásticas. Bebeu, às vezes o gozo pode estar em um gole. Comeu, o pouco e singelo foi intenso. Misturas de sabores provocam isso. Observou, quase voou para o seu outro eu. Percebeu que não tinha outro eu, e que bastava-se. Sentiu falta sim, como não sentir? Mas, perceber o prazer da própria companhia foi inigualável a qualquer outra sensação.

Retornou, descansou e chorou. Chorou porque tinha que chorar, isso não foi sinal de alguma coisa ruim, foi sinal de um puro sentir. Foi sinal de que estava viva e sentindo as emoções em erupção no seu corpo, do mindinho do pé ao último fio de cabelo.

Com desconfiança e medo, tenta a cada instante entregar-se ao desconhecido. Aos poucos tenta lidar com a ansiedade e a expectativa e a única coisa que resta, no fim de cada dia, é a esperança, não de que as coisas melhorem repentinamente, mas que as coisas melhorem para si e fim.

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Links da semana

Não, fazer postagem com links da semana não é novidade alguma. Porém, há algumas coisas que chamam a atenção em meio ao turbilhão de informações jogadas em nossas caras todos os dias, não é? Então, todo domingo vai ter essa sessão aqui. Eu gosto e espero que vocês também 😉

  • Quando Charlie Brown conhece Snoopy e leva pra casa
    Sim, eu adoro o Charlie Brown. E no início dessa semana o Vicente Carvalho do site Razões Para Acreditar fez esse post lindo do Charlie e do Snoopy.  O vídeo mostra quando e como os dois fofos se conhecem. São dois minutos e quinze segundos de muita fofura. Vi que alguns sites vincularam esse post com a adoção de animais abandonados. Legal, não?
  • O que vem depois do eu te amo
    Vocês não conhecem o Chata de Galocha? Então, depois que terminar de ler esse post dá uma passadinha por lá.  A Lu (sim, íntima) é uma mineira super alto astral, com conteúdos interessantes e vídeos que merecem mil likes. O blog dela possui alguns colaboradores e uma delas é a Marcella Brafman que tem uma coluna quinzenal lá no Chata, com textos tão incríveis como esse. Para alguém que tem dificuldade em dizer “eu te amo” o texto é meio que encaixe perfeito.

Já consegui dizer “eu te amo” de N formas. Até mesmo quando disse “não quero te ver mais”.

  • Queria me costurar no mundo
    A Chez Stephanie Noelle é jornalista e quando não está postando matérias sensacionais no Petiscos, está no seu blog pessoal. Quando leio os textos dela dá vontade de falar: vamos sentar e conversar por hooooooras? Quando eu li esse texto eu pensei: é ok ficar perdida mesmo, achar que as escolhas  talvez não seja sinônimo de conquistas e me fez ficar pensando o que eu entendo por conquista e coisas assim. O sentimento de às vezes ser uma fraude também rola por aqui, viu Chez? Ah,  e o que são essa ilustrações no meio do post? Amor ❤
  • Vídeo: pessoas beijam-se em praça pública
    Estava eu, numa boa pela minha timeline, quando várias pessoas começaram a compartilhar esse link com frases positivas e romantizadas sobre ele. Imagina você passar por uma praça e ver uma movimentação estranha, um palco armado e um telão gigante? Imagina então se nesse telão começam a ser projetados esqueletos trocando beijos e/ou abraços? Pois é, rolou isso e conforme as pessoas foram saindo a plateia foi surpreendendo-se.
  • 7 milhões de dúvidas
    Espero, de verdade, que vocês conheçam a Jana. Ela, junto com a Chez que mostrei ali em cima, poderiam marcar comigo um dia no bar. Sabe, acho que iria aprender muito com as duas, já que não tenho metade da experiência de vida delas. A Jana ficou um ano fora, viajando pelo mundo e agora a rotina bate a sua porta, assim como os compromissos. E, como eu em alguns vários momentos da minha vida, não sei o que fazer, ela também não. Entre o medo de publicar o não, tem essa dose de realidade. Acho que o texto dela e da Chez se complementam de alguma forma. Ambos incríveis, pelo menos para mim.
  • Feminismo para homens, um curso para homens
    Adoro os conteúdos do Papo de Homem. E logo agora pela manhã me deparo com esse post deles. Não o li todo, pois é um pouco extenso e tenho que focar em outras coisas agora. Mas, sem  a menor dúvida o público alvo são os homens, mas eu e você que não sabe praticamente nada sobre o Feminismo pode dar uma olhada e ficar instigado a saber mais sobre.

É isso.
Até domingo que vem!
Beijos, Van.

Vamos falar sobre Mobilidade Acadêmica?

 Olá, tudo bem com vocês?  🙂

Se você está aparecendo por aqui pela primeira vez, meu nome é Vanessa. No momento em que escrevo esse texto me encontro em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul – BR. Não sou daqui e confesso que ainda me sinto esquisitamente feliz nessa cidade. Vim para cá há uma semana  para realizar Mobilidade Acadêmica. Mas, o que é isso? Do que se alimenta? Bom,  vou tentar falar um pouco sobre isso para vocês abaixo, vamos lá?

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O que é Mobilidade Acadêmica?
Na verdade, Mobilidade é o nome de um Programa da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), que tem como objetivo regulamentar e possibilitar uma cooperação técnica-científica entre as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES).

Tanto a UFMT quanto a UFRGS são conveniadas a esse Programa de Mobilidade da ANDIFES. Foi ele que me permitiu sair do ninho por um semestre. Agora, faço Psicologia na UFRGS e não mais na UFMT. Dá saudade sim, mas não mata ninguém.

Quantas instituições estão vinculadas?
A ANDIFES disponibiliza um documento em seu site onde constam 64 IFES conveniada a esse Programa. Corre lá e vê se a sua instituição não está no meio e comece a pensar na possibilidade de fazer mobilidade 😉

Quem pode participar?
Você  é aluna ou aluno de alguma IFES? Então, pronto! Você já pode participar!
Aliás, calma. A burocracia existe e é preciso se ater aos seguintes critérios para participar:

  • Ter concluído 20% da sua graduação. Isso equivale aos dois primeiros semestres do seu curso.
  • Caso a pessoa tenha interesse em sair para mobilidade no seu terceiro semestre, só poderá realizar isso se tiver até duas reprovações (uma em cada semestre). Então, meus caros, tomem cuidado com aquelas aulas faltadas para ir ao bar com os amigos. Se você quer sair em semestres posteriores ao terceiro, devem atentar-se a essas reprovações. É só uma em cada semestre que antecede a sua ida.
  • Está no último ano da sua graduação? Desculpas, mas não há mais tempo para você. As saídas para Mobilidade exigem que você tenha 20% da sua graduação concluída e que falte até 20% do curso para você terminar. 😦

Ok. Quero participar, como faço?
Atente-se aos editais da Pró-Reitoria de Graduação da sua IFES, é o setor de Mobilidade Acadêmica de cada IFES que cuidará dos tramites institucionais do aluno ou da aluna. No documento de Convênio com a ANDIFES consta que as Instituições devem manifestar interesse até 31 de maio do ano vigente, para os alunos que desejam ingressar no segundo semestre letivo em outra Instituição. Ou, até 31 de outubro, caso o interesse seja no primeiro semestre letivo do próximo ano.

É por meio dos editais que os alunos poderão se informar sobre os prazos de entrega de documentos, por exemplo, e quais são eles. Além de critérios que cada instituição pode expor nesse edital.  São os editais que irão apresentar aos alunos um cronograma de datas ,de acordo com os prazos já estipulados pelo Programa.

Ganho bolsa para fazer essa mobilidade?
Bom… depende. O Edital ao qual eu concorri previa bolsa para os alunos selecionados. Caso tivesse algum aluno que manifestou interesse por meio do Edital e não foi selecionado mas, mesmo assim, quisesse fazer mobilidade, era só informar à Pró-Reitoria para que eles enviasse o interesse do aluno para a IFES desejada.

Atenção! Nesse tipo de Edital duas coisas estavam em jogo para mim:

  1.  Conseguir uma bolsa que me ajudaria no período em que estivesse na IFES para a qual manifestei interesse em ir. Sendo assim, esquece isso de que haverá passagem, plano de saúde e vale alimentação na conta da Dilma, não estamos falando de CsF (brimks, pois esse programa tem restrições também e volto em outro momento para falar dele). A bolsa conseguida via Edital só é depositada em sua conta a partir do mês em que suas aulas começam (por favor, alguém que libera minha bolsa, se você estiver lendo, já pode liberar).
  2. Após ter sido aprovada nesse Edital interno da UFMT, concorrendo a bolsa, vem o momento de vácuo eterno, dependendo da Universidade que você escolher para ir. Após o Edital, a Pró Reitoria de Graduação da UFMT entrou em contato com a da UFRGS. Esse contato é necessário para ver a disponibilidade de vaga para o meu curso e aguardar o envio da Carta de Aceite. A partir disso, a burocracia para oficializar que eu sou uma “aluna em mobilidade” é efetivado.

Então, envolve um tempo de espera e ansiedade, caso você seja igual eu.
O segundo ponto acima ocorre caso o aluno queira ir para Mobilidade, independente de ter bolsa ou não.

Como escolher a melhor IFES?
Isso é preciso ver com cuidado. Eu escolhi UFRGS por algumas razões, como conhecer algumas pessoas aqui, já conhecer a Universidade por meio de Eventos Acadêmicos e parcerias que a UFRGS tem com o grupo de pesquisa que participo na UFMT. Então, isso conta muito: estar mais familiarizada com o lugar.

Mas, se você quer ir para Federal do Ceará por conta das belas praias ou para a Federal de São Paulo e não conhece nenhum desses lugares, eu tenho uma dica: se joga. É possível obter informações sobre esses lugares na internet, grupos no Facebook estão aí para isso. Desafios são bons, eu sei e você sabe, e se você não tem nada a perder o que te impede de ir?

Um fator que auxilia na escolha também é o Currículo do Curso. A Psicologia da UFRGS é diferente da UFMT. Faço disciplinas aqui que nunca faria lá, além de discussões que nunca tive durante a graduação. Estou quase no final do curso, no final desse semestre faltará um ano, e em questões acadêmicas (mas não só) esse momento está sendo muito importante.

Eu só posso escolher fazer Mobilidade para o meu Curso?
Eu não sei muito bem o motivo de ter colocado isso aqui, pois a resposta é meio óbvia: sim, só pode sair da sua Universidade para fazer o mesmo curso em outra, com disciplinas diferentes. Vou colocar alguns pontos agora sobre como fiz para escolher as disciplinas e qual alternativa eu vejo caso você tenha interesse em algum curso que não o seu. (Juro que já está acabando e você pode ir assistir a sua série favorita).

  • Primeiro é preciso que o aluno saiba que você vai fazer um semestre em outra Instituição. Isso significa pensar em escolher disciplinas na Instituição para qual você quer ir, de maneira que elas possam ser equivalentes e eliminadas posteriormente. Então, escolhi disciplinas que fossem mais próximas das que faltam eu terminar na UFMT e também que eu tivesse mais interesse. E, depois dessa primeira semana, posso dizer que fiz boas escolhas. Quando eu chegar na UFMT, abro um processo e posso aproveitar as disciplinas que fiz aqui, lá e formar com a minha turma, espero eu 😀
  • Se tem algum curso que você deseja conhecer, escolha apenas uma disciplina dele na Universidade para a qual você vai. Ah, e isso pode ser feito na sua própria Universidade… na verdade, não sei se em todas, mas na UFMT pode.
  • Não preencha sua semana com mil aulas por dia. A  Universidade é bem mais do que aulas, vocês não sacaram isso ainda? Sem contar que vocês estarão em um lugar diferente, explore-o (essa última frase é uma dica para mim mesma).

Vale a pena?
Sim, claro, sem a menor dúvida.
“Não tenho recordação de felicidade igual, é tão diferente de tudo que senti que é deliciosamente assusta-dor.”

Para saber mais…
Pode parecer que sim, mas não sei isso sozinha, veja só:

  • Site da ANDIFES que tem mais detalhe da coisa toda.
  • Fiquem de olho no calendário acadêmico e/ou site da Pró Reitoria de Graduação da Universidade de vocês. Lá provavelmente tem informações gerais sobre documentação e editais anteriores.
    • Pró Reitoria de Graduação UFRGS
    • Pró Reitoria de Graduação UFMT

 

Textão né? Mas, acredito que tenha todas as informações básicas para vocês saberem um pouquinho sobre Mobilidade Acadêmica.

Vai ter mais posts assim, informativos. Caso tenham alguma temática em específico ou dúvida sobre essa é só deixarem nos comentários.

Obrigada por chegar até aqui.

Beijos,
Van.

Como é que você está?

Como é que você está?
Como é que eu estou? Mas, desde quando você quer de fato saber? Desde quando a minha mãe descobriu e superou um câncer? Desde quando me apaixonei e a bolha desse romance estourou, deixando destroços por aqui? Desde quando eu resolvi ser cabeça dura e sair de casa por um tempo? Desde quando eu fiz escolhas certas, tive oportunidade de ir para outro país? Desde quando eu tive um final de ano péssimo, que me deslocou completamente e me fez amadurecer? Afinal, desde quando?

Penso que questões assim são iguais a  “eu te amo” nos finais da ligação. É um protocolo a ser cumprido. Mesmo que sejam as pessoas mais queridas ao seu redor que perguntam isso, fico meio assim ao responder, sabe?  E tudo bem, talvez eu não queira saber de fato como elas estão também, sou um tanto egoísta caso não tenham percebido ainda.

Talvez eu deva parar aqui. Cada linha dessa pode atingir as pessoas e magoá-las. “Poxa Van, eu quero sim saber como você está. Como está sua vida nova e te dizer que desejo que dê tudo certo por aí”. Parei. Na verdade, ainda tenho comigo essa história de dizer “que o inferno são os outros”.  Mas, ando lendo um livro onde há o seguinte:

O inferno não são os outros, pequena Halla. Eles são o paraíso, porque um homem sozinho é apenas um animal. A humanidade começa nos que te rodeiam, e não exatamente em ti. Ser-se pessoa implica a tua mãe, as nossas pessoas, um desconhecido ou a sua expectativa. Sem ninguém no presente nem no futuro, o indivíduo pensa tão sem razão quanto pensam os peixes. Dura pelo engenho que tiver e  perece como um atributo indiferenciado do planeta. Perece como uma coisa qualquer | Valter Hugo Mãe – A desumanização – CosacNaify, 2014

Diante disso, mais uma vez a hipótese de que no final das contas somos nosso próprio paraíso e inferno, fica cristalino. A cada pessoa que me pergunta como é que estou, principalmente nessa última semana, é como se um vazio ficasse exposto. Na verdade, é exatamente isso: um vazio. Respondo de maneira superficial, mais superficial do que a pergunta. Não sei as respostas e não saber algo me enfurece, ainda. É difícil sabe? As pessoas que me rodeiam, por meio dessas perguntas, mostram-me a humanidade, as questões que eu tenho.. me ajudam a pensar de fato sobre este momento… esses meses que virão….

Eu estou em um momento de olhar ao redor e me sentir deslocada. Sentir falta de rostos  familiares, da fungada da minha cadela todo dia de manhã. Sinto falta do riso matinal dos meus pais. Sinto falta daquilo que não faz parte mais da minha rotina. Como eu estou? Estou aprendendo a lidar com essa falta, mas o mais maravilhoso disso é que não tem sofrimento. Eu estou tão feliz com essa mudança . Não tenho recordação de felicidade igual, é tão diferente de tudo que senti que é deliciosamente assusta-dor. Eu estou construindo e aprendendo mais um pouco sobre quem eu sou. Eu estou aberta para o novo, para o que possa me surpreender, para os pequenos empecilhos da vida…. Eu estou vivendo, linda e intensamente, pois isso é tudo que eu posso fazer com ou sem medo: viver a vida que tenho e aproveitar suas nuances.

Enfim, estou bem. E quando não estiver, vou ser feliz também.