Vinte e seis

Vinte e seis

Hoje acordei atrasada. Poderia ter passado o dia dormindo, mas depois de ter faltado mais aula do que o normal, decidi que iria… mesmo sem texto lido, mesmo em dias depressivos, mesmo que a cama me abraçasse de maneira tão gostosa onde só ficar ali, quieta e quentinha, bastaria.

Poderia ter ido no Restaurante Universitário e almoçado, mas preferi voltar para casa, comprar um kebab cujo sabor sempre lembrará Porto Alegre. Almoçar sozinha, no apartamento completamente bagunçado. Penso que a bagunça é externa e interna. Às vezes queremos respostas, mas tudo que se têm são mais perguntas, mais bagunça e você vai aprendendo a lidar com ela, até o momento que você arruma as coisas, deixa tudo cheiroso, mesmo que uma coisa ou outra não fique realmente no seu lugar.

Por falar em lugar, três meses se passaram. De um lugar fui para outro, com duas malas e uma mochila. Com o coração cheio de memórias e já saudoso. Por um tempo me questionei “o que estou fazendo da minha vida?”. E a resposta é simples: vivendo-a.

Conhecer novos lugares e sabores é maravilhoso. Sentir outros climas, ouvir outras formas de pensar, ver outras formas de existir. Perceber. Tudo isso é tão único e maravilhoso. Sentir coisas nunca sentidas antes, lidar com o inominável e o inevitável. Ser. Permitir. Encontrar desconhecidos, ouvir e entender outra língua, viver em outro território e conseguir ficar perdida sem receio. Criar novas formas de laço, de traço e ganhar novas marcas. Abandonar. O velho eu, a velha mala, as roupas, os preconceitos e esquecer algumas marcas. Feridas? Estão mais tratadas, limpas e algumas cicatrizadas.

Questionar, sempre, a todo momento. O que acontece? Como acontece? Por que ainda dói? Por que a saudade? Do que se tem, de fato, saudade? Quais são os próximos passos? É preciso mesmo tanta ansiedade de vida? Não seria mais fácil admitir a falta do que ignorar? Pode andar por aí sozinha, distraidamente conhecendo seu novo território sim, traçando seu próprio mapa… quem foi que disse que não  pode? Como fazer novos laços? Como agradecer a quem sempre esteve do seu lado, longe ou perto? Como retribuir o bem? Como nomear e quantificar todas essas emoções? Não se é a mesma, como é essa versão formatada? Está pronta para lidar com a sua diferença e com a indiferença do outro? Com a diferença do outro? Com os julgamentos e perguntas que você achará um porre responder? Está pronta para buscar essa sensação de novo, sempre? Está gostando de, depois de muito, estar feliz e gostando de viver?

Tempo. Tempo de aprender a viver só, de descobrir quem é e o que não quer mais ser. Tempo de aprender a lidar com coisas antes ignoradas. Tempo de sofrimento e de sorriso frouxo. Tempo de retirada daquilo que sufocava e nem se percebia. Tempo de medo. Tempo de saudade. Tempo de tornar-se, hoje, amanhã e por um tempo que não encontra espaço nos calendários, nos relógios e continuará sempre sendo.

Mas não precisamos saber pra onde vamos
Nós só precisamos ir
Não queremos ter o que não temos
Nós só queremos viver
Sem motivos nem objetivos
Nós estamos vivos e é tudo
É sobretudo a lei
Dessa infinita highway, highway
Infinita Highway – Engenheiros do Hawaii

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