Borboleta

Borboleta

Raul Seixas dirá que ele prefere ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Se você já leu um dos meus textos, é possível que caia justamente naqueles que falam sobre mudanças e como eu tenho uma certa dificuldade em mudar. A Anna do Pausa para um Café acabou de mudar todo o layout do seu blog e disse que vive de mudanças. Eu não vivo delas, tenho que conviver com elas. E por mais que aceite o fato de que elas são fundamentais, me dá um certo desespero e ansiedade e dor de barriga e falta de ar e todas essas coisas quando eu escolho ou tenho que mudar. A minha felicidade é nunca ter deixado de ir, mesmo com medo das mudanças escolhidas ou impostas.

Sabe aquela preguiça em ir à academia? É um saco, você muitas vezes terá que fazer movimentos repetitivos, fazer coisas que não gosta. Esbarrar com aquela mulher que você vai pensar: “o que ela está fazendo aqui? Ela não precisa emagrecer!” (como se você, no caso eu mas você pode se identificar, tivesse o direito de julgar o corpinho do outro e o que ele precisa ou não para estar bom). Tem que acordar cedo, ou ir depois de um dia cansativo. Mas, esses pequenos desprazeres são necessários para que a endorfina tome conta das suas correntes sanguíneas. É uma questão de ir, fazer e sentir, não acham? Eu sim.

1

Acho esse discurso de “tudo que é bom vem com um sofrimento” um saco! Às vezes parece ser impossível ser feliz, apenas sendo feliz. Você precisa sofrer para um senhor caralho e, só depois disso, ser feliz, estar bem. Vocês conhecem a Jout Jout Prazer? Tem dois vídeos dela que me fazem pensar muito sobre “essa barra que é viver”. O primeiro deles é sobre a Big Picturarização das coisas e o que ficou desse vídeo é:

“como a gente não tem problema, a gente inventa problema”

Veja só: não é que você não tenha problema (ou problemas). Mas, qual é o lugar que eles ocupam na sua vida? Se você big picturalizá-lo será possível perceber que ele tem um espaço e um valor menor na sua vida do que você realmente acha que tem. Eles são resolvíveis (em itálico por motivos de ter inventado essa palavra), você tem, por mais que ache que não, total capacidade de lidar com isso. E se seu problema não tiver solução, cara, só esquece e vai viver a sua vida com as outras coisas que existem nela. Acredito que nós, ingênuos humanos, temos energia e devemos ter serenidade para respirar e pensar: o que x problema muda na minha vida? Nada? Então, tchau. Vou gastar minha energia com outras coisas, obrigada.

Ou seja, não precisa ficar sofrendo o tempo todo. Em outro momento dona Jout nos fala sobre o sofrimento fazer parte de nossas vidas e que temos que viver esse sofrimento sim, pois ele é um milésimo perto das endorfinas que podem percorrer o nosso sangue. Talvez, essa coisa ridícula de que para se ter o bom é preciso ter o ruim não seja tão ridícula assim. Na real, o que conta é o peso que dou para cada coisa. Se eu tenho medo de mudar, é porque não quero sofrer. Se tenho medo de iniciar uma conversa, é porque não quero sofrer. Mas, quem quer, não é mesmo? Sofrimento e prazer andam de mãos dadas. Eu sei disso e você também, nós só precisamos não esquecer.

primeira

Por tanto ter medo de sofrer com mudança, seja ela qual for, começo a pensar nas borboletas. Durante a metamorfose elas passam por quatro momentos: ovo/fase pré-larval; lagarta; pupa (que se desenvolve dentro da crisálida) e imago, que é a fase adulta.

metamorfose-tipos-e-como-acontece-essa-mudanca

Nesse tornar-se borboleta há ovos eclodindo e que servem de alimento depois. A lagarta muda de pele algumas vezes na medida que cresce. E, na última troca de pele ela se fixa-se “e sofre a última mudança, na qual surge a pupa”. Assim, lentamente se transforma em borboleta e quando “pronta” saí da crisálida por aí, voando. Apesar de existir a Borboleta Monarca, que pode viver seus nove meses, o tempo médio de vida desse ser colorido e intenso é de duas semanas a um mês.

Penso comigo que devemos ser mais borboletas e entender que a vida é breve e que até o seu fim vamos ter umas surpresinhas, boas e ruins. Tudo e quanto vivemos é um processo. E, se a nossa metamorfose já aconteceu, se já somos borboletas, o que nos impede de voar? Podemos durar um dia, uma semana, uns anos e se por alguma razão o voo for tolido, que não seja esquecido o que se passou até aquele momento de queda. É vital cair. E sim, cair para recomeçar, mais uma vez. Cair para tirar  da caixinha aquele projeto. Cair e sair daquele relacionamento que pelas razões que for acabou. Há novos dias na sua frente e você precisa vivê-lo. É preciso bater as asas e permitir que outras pessoas caminhe com você. É preciso se reinventar diante de cada preconceito seu, que todo o santo dia você tem que esbarrar.

final

É preciso voar e entender que esse voo, ora solitário, ora não, tem suas pedrinhas e sofrimentos, mas prefiro acreditar e não esquecer que não é só disso que se vive a vida.

Sendo assim, bons e intensos voos para nós.

Anúncios