O sufoco de olhar para trás

É estranho pensar que os dois primeiros meses do ano foram super corridos. Que no começo do ano eu voltada de um local desconhecido e, que em breve, iria para um local a ser desbravado. Metade desse 2015 já passou. E nesses últimos dias toda a felicidade que sinto pela escolha que fiz é engolida pelo sufoco de olhar para trás. É engolida pelo frio na barriga que há pelo voltar.

Sufoco desses sofridos. Desses que quero ficar no meu cantinho, contida. De ficar emburrada. De não querer papo. De ficar intragável.

Martha Graham- Lamentation | Por: Arien McOmber (Pinterest)

Martha Graham- Lamentation | Por: Arien McOmber (Pinterest)

Ao olhar para trás vejo uma Vanessa que não reconheço mais. Vejo um local que eu quero chegar e mudar tudo. Um local que eu quero só chegar e em breve deixar.  Mas, no fundo, a questão retorna para mim, a mudança literal e visceral está me fazendo pensar demais. Há vozes rondando meus pensamentos que não sei decifrar. Vontades que não sei como começar a realizar. Coisas para terminar. Mudei, talvez tenha amadurecido um pouco mais, mas eu sei lidar com esse novo?  O que é esse muito, tanto, pranto que sinto?

Olho para trás e vejo as oportunidades nunca vistas, e assim perdidas. Vejo que há oportunidades que posso criar, que devo investir, agarrar e ver o que dá e que antes eu também não via. Espero não perdê-las. Vejo que eu mereço mais em alguns pontos da vida e em outros, o quanto a minha arrogância e essa mania de querer dar conta do mundo me prejudicaram (e ainda prejudicam). Nessa brincadeira de esfoliar a pele e a vida, acho que a pele está exposta demais. Há resistência para os 40º diretamente na pele? À flor da pele?

Martha Graham - Lamentation | Por: Vadim Stein

Martha Graham – Lamentation | Por: Vadim Stein

O que fazer para respirar melhor e sair do sufoco? Tenho calma para essa lógica do grão em grão? Tenho coragem para tirar as minhas máscaras, meus medos e guardá-los um pouco para dar a cara a tapa de fato? Dar a cara a tapa para as feridas mais bem cuidadas e que eu nunca chego perto? Consigo vomitar todas as coisas que me afligem? E mais, consigo lidar com o pós vômito? A sensação de fraqueza já que tudo foi expurgado? Há força para se alimentar de coisas mais leves, até chegar a mais pesada sem que isso se torne um ciclo vicioso? Há Vanessa suficiente para isso?

Não sei, só sei que há sufoco em olhar para trás. Quando e como isso vai passar? Com o clichê: respira e vai. Com medo, com ansiedade, com dúvidas, com sofrimento e com sorrisos também. Mas, principalmente com questões. Aos poucos nos tornaremos grandes amigas – eu e as questões – e acharemos nosso caminho para vivermos mais leve uma com a outra, assim espero.

Martha Graham - Lamentation

Martha Graham – Lamentation

Até o nosso encontro, sufoco. Veremos se eu morro ou se eu te mato.

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