Filme: Wild

Não sou dessas que sei falar sobre filmes, sobre seus enquadres e quão foda é o diretor ou não. Enfim,  não sou uma crítica de cinema e nem quero ser. Porém, é tão bom escrever sobre aqueles filmes que te tocam de alguma forma não é? Estou muito numa faze de pensar que “se faz sentir, faz sentido”, então…

Vi sobre esse filme na minha timeline do Facebook, alguém dizendo que precisava assistir. Li a resenha e desencanei. Eis que conheci o Popcorn Time e ele estava lá, lindo e belo para eu assistir.

Se você ainda não conseguiu desligar a imagem de Reese Witherspoon da sua personagem em Legalmente Loira, chegou a hora. Resse interpreta  Cheryl,  uma mulher que resolve deixar para trás seus fantasmas e dramas para buscar se conhecer, saber quem de fato era.  Em meio a trama, o drama e os 1.770 quilômetros da trilha que atravessa, na costa oeste dos Estados Unidos, Cheryl conhece pessoas diferentes, se assusta e vai lembrando de algumas situações que a impulsionaram a sair por aí.

Impossível assistir o filme e não se lembrar de A natureza selvagem. A solidão, as descobertas, as sutilezas da natureza e suas armadilhas: acredito que isso faz parte da composição dos dois filmes. Quando assisti A natureza selvagem foi legal, sabe? Era início da faculdade e como era para algum trabalho, prestei atenção em partes específicas. Foi diferente a experiência com Wild.

Ambas as histórias são baseadas em fatos reais. Mas, o mais real disso, é que o questionamento trazido por Wild me atravessa. Quis ficar só por um período de tempo. Estava de saco cheio das coisas da vida, tinha que colocar uma mochila nas costas, lidar com os meus medos e arrancar a minha própria unha depois de usar por dias um sapato desconfortável. Tinha que me virar no avesso e ver qual lado seria o certo, se é que há lado certo. Quando os filmes, mesmo que mornos, me deixam com questões, me fazem sentir alguma coisa, eles já merecem algum tipo de atenção.

Quer um filme para um sábado a noite sem nada para fazer? Curte um filme dramático e lento? Gosta de frases de impacto e belas paisagens? Bom, se joga então. 🙂


Título original e brasileiro: Wild | Livre
Ano: 2014
Diretor: Jean-Marc Vallée
Gênero: Biografia e Drama
País de Origem: Estados Unidos
Avaliação: ★★★☆☆

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Camisa preta, escritos amarelos e o cinema

Fazer faculdade é estar imersa em um outro universo. Lá você encontra de tudo um pouco e aprende, aos poucos, que você não é nem um grão de areia para poder julgar o outro. Lá você aprende que a vida é de fato repleta de singularidades e tem que tomar cuidado para não cair na besteira de dizer que “o normal é ser diferente”.

 Lá você aprende que uma camiseta preta, com letras amarelas escritas Pedro Almodóvar desperta curiosidade, de início, só por achar a camiseta bonita. Esse espanhol, com a cara simpática é cineasta e eu não sabia. Aliás, sabia da existência de um filme chamado A pele que habito, porém, que ele é diretor são outros 500.

almodovarEnfim, nesse mundo de recesso acadêmico, devido ao fantástico mundo da copa, reservei um tempinho para assistir alguns filmes dele. Aliás, dois. O mencionado acima e Os amantes viajantes. Podia ter assistido mais? Sim. Porém, em mundo de Netflix, baixar filmes virou perda de tempo. Então, fiquei com esses dois.

Não sou nenhuma especialista em filmes, portanto aqui não há pretensão em analisa-los. Mas, os filmes me tiraram o folego. Deixaram-me com nó na garganta. Preciso respirar e desfazer os nós.

Os amantes viajantes

Viajar de avião me dá medo, às vezes. Qualquer tilt que o sistema de um aeronave tenha, pode deixar todos os passageiros com um certo desespero. E quando o trem de pouso não funciona, como lidar?

Passageiros-650x400Achei um filme intenso. Há vários dramas no filme que são tratados do começo ao fim, com emoção, sensibilidade, comédia. E gosto de filmes assim. O diretor não mede esforços em explorar o campo da sexualidade, que pelo que li, é constante em seus filmes.

É impossível não achar que há um tom autobiográfico nesse filme, já que Almodóvar é gay assumido. Mas não é isso que brilha os olhos. O que me fez gostar é o fato de que a vida é repleta de tramas e dramas. Que o cinema, quando em boas mãos e em bons olhares, consegue traduzir quão medíocre a vida é, porém que a possibilidade do riso ou do gozo existe. Acho a comédia uma das melhores formas de abordar as coisas da vida, e claro com esse filme não foi diferente.

Que virgens percam a sua virgindade. Que assassino de aluguel evite matar mulheres e que uma das suas vítimas se torne amante. Sim, que relacionamentos gays sejam consumados. Que amante e amado tenham vínculos. Que filha distante do pai falido, volte. Que sejamos dopados (ou não) quando a instabilidade da vida surgir.

Mais sobre o filme:

Site Oficial | http://www.losamantespasajeros.com/index.php

Crítica | http://omelete.uol.com.br/os-amantes-passageiros/cinema/os-amantes-passageiros-critica/#.U5zUmygbIpk

Netflix | http://www.netflix.com/WiMovie/70270748?sod=search-autocomplete

A pele que habito

030Se eu tivesse uma vida na qual eu tivesse assistido ao menos uns mil filmes, poderia dizer que esse está na lista dos: filmes que me tiram o fôlego ou filmes que me estremecem. A sensibilidade feminina é trazida nesse filme de maneira tal que é impossível piscar. É impossível não dizer: vejam, não é tão simples assim esse mundo.

Ao ouvir o Podcast do Cinema em Cena, sobre Almodóvar, eles abordam o filme. Em uma das falas dizem sobre rasteiras. E essa foi a melhor definição para o filme. Lembro-me de ter sentido assim ao assistir Ninfomaníaca I e II de Lars Von Trie. Achei que só com os filmes dele me sentiria assim. Felizmente não.

Sabe, algumas feridas quando cicatrizadas criam uma casca. Quando criança gostava de retirá-las, mesmo que doessem. Achava que a ferida tinha que ficar em aberto para respirar, mas acabo achando que é pelo prazer-desprazer causado. Esse filme me deixou assim: com um prazer por assisti-lo e por colocar em cheque comigo mesma vários assuntos: estupros, o feminino, o masculino, a estética, a ciência desenfreada.  Com um desprazer tremendo, pela angústia, pela dor, pelo sofrimento que a trama traz a tona.

Durante a graduação os professores indicam filmes. Esse era um deles. Porém, se não fosse a camiseta preta com escritos amarelos eu não teria assistido esse filme para calar minha curiosidade. Só basta dizer que vale a pena. Quanto futura psicóloga, cabe assistir mais vezes pelos assuntos clínicos abordados. Quanto ignorante em processo de designorização, para pegar as sutis referencias e para manter a sede do novo e de mais filmes.

Além do soco no estômago e do choque com o filme, que abalou minha pacata vida, só tenho uma coisa a dizer: assistam.

 Mais sobre o filme:

Site Oficial | http://www.lapielquehabito.com/

Crítica | http://www.cinemaemcena.com.br/plus/modulos/filme/ver.php?cdfilme=5727

Netflix | http://www.netflix.com/WiMovie/70189304?sod=search-autocomplete

Eu e a sétima arte

Algumas coisas acontecem em nossas vidas e não sabemos o início delas. Eu não me recordo, por exemplo, qual a primeira vez que eu fui ao cinema. Porém, me lembro que com o passar dos anos passei a assistir com mais frequência. Alias, as salas de cinema foi marco de um dos momentos mais constrangedor da minha vida e isso seria o suficiente para a minha relação de afeto com ela acontecer. Na verdade, acho que as salas de cinema passaram a ser um trauma, mais ou menos resolvido.

Um dos meus universos, ou seja, a faculdade, trouxe de novo essa relação para os cenários da minha vida. Foi nesse mesmo universo que passei a ter contato com um filósofo alemão chamado Friedrich Nietzsche que em uma de suas obras afirma que não temos acesso a todas as vivências e, sendo assim, nossos ouvidos são surdos para algumas delas ou provocam desvios naquilo que se escuta, de forma tal que uma vivência não é acessada com precisão.

Ora, se não posso vivenciar tudo, de todos os mundos, é possível acessá-las de outras maneiras. É preciso criar rotas no meu mapa cognitivo, enfim é possível e preciso sair da caverna platônica. Sair da sombra e deixar se sacolejar pela curiosidade, pelos causadores de sombra, pelos universos.  Acho então nos filmes, uma das formas de acessar esses mundos intensos e queridos.

Confesso que às vezes queria ser uma excelente critica de cinema. Como todas as coisas na vida quero tudo ao mesmo tempo, quero dar passos maiores que a minha perna. Porém, a cada filme, a cada crítica lida, a cada conversa ouvida sobre diretores, filmes, atores, atrizes, roteiros, fotografias, trilhas sonoras eu respiro profundamente e solto o ar. Como galinha, vou enchendo meu papo com pequenos grãos. Grãos que me emudecem, me engordam, que eu rumino e faço a digestão. Que é expelido, explodido sem direção exata, sem tentar atingir ninguém diretamente, mas que me atinja primeiro.

Nunca ouvir falar desse diretor, e olha, esse espanhol me deixou meio away. O alívio ou uma estabilidade maior só vem agora, ao finalizar esse texto. Que mais filmes venham, que o olhar se renove, que o ordinário seja estremecido e que não haja sempre um trem de pouco para me dar segurança.

Mais sobre o diretor:

Descrição no Filmow | http://filmow.com/pedro-almodovar-a75339/

Podcast no Cinema em Cena sobre alguns de seus filmes  | http://www.cinemaemcena.com.br/plus/modulos/noticias/ler.php?cdnoticia=50452  (Olhar aqui as sugestões literárias que o site sugere).