Carta aos estudantes de Psicologia

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Caras e caros colegas, amigos/as, professores/as e público aqui presente,

O objetivo dessa mesa é que a gente responda perguntas cujo eixo temático é: “formei, e agora?”. Além disso, a comissão organizadora pontua que o objetivo da mesa também é compartilhar “as barreiras e anseios de um recém formado em psicologia na UFMT”. Parece amável, mas é quase uma cilada tal objetivo, pois para estar aqui hoje eu tive que me colocar a pensar sobre, no mínimo, esses nove meses pós a conclusão da minha graduação. E, acreditem, nos haver com nossa própria história exige de algum modo, mas acaba por ser gratificante.

Vamos lá! Vocês estão diante de cinco pessoas que passaram pela graduação aqui na UFMT, em momentos distintos e singulares do curso. Parece que estamos vivos e bem, dentro daquilo que nos foi possível depois que nos graduamos. Acredito, então, que vocês também estarão vivos e minimamente bem quando o fim e o depois chegar, resguardando a singularidade de cada processo.

A meu ver, as barreiras e anseios de um recém formado, ou ao menos as minhas barreiras e anseios, foram atravessadas pelo simples fato de ter que lidar com o fim. Eu fui convocada a encerrar um ciclo que eu sabia que tinha seus cinco anos para acontecerem, mas que eu os vivi sem preparo para esse momento. Mas, me digam, quando é que a gente vai estar completamente preparado? Hoje, pensando que a minha colação de grau se deu no dia 1º de novembro de 2016 e que no dia seguinte foi dia de finados, achei bem simbólico. Afinal, tinha sim um luto para lidar diante daquilo que se acabou.

Foi barreira lidar com o fato de descobrir outro local ao qual pertencer, afinal, não era mais estudante de psicologia da UFMT. Foi barreira lidar com os adeus aos amigos e amigas que retornaram a sua cidade natal, que foram para outro estado viver sonhos, ou melhor, realidades. Foi barreira e anseio pensar: como é que mantenho os laços? Como é que desfaço os nós? Bom, e vocês? Quais são as relações e laços que estão constituindo ao longo do seu percurso acadêmico? Como elas são dadas? Há abertura, disposição e disponibilidade? Há, prestem atenção, escuta? Escuta de si, do outro, dos desejos de vocês, da conjuntura política, histórica, social e cultural que estamos inseridos? Porque esses elementos me parecem fazer parte do “ser psicóloga”. Muita coisa? Ao menos para mim, no meu fim, foi.

Acredito que a graduação e a formação de maneira geral é constante e insuficiente. Então, no meu fim, tive que lidar com a angústia de pensar algo simples e intenso: o que eu quero? O que eu dou conta de fazer? O que aprendi durante 5 anos que me ajuda a dar os próximos passos? Durante a graduação eu nunca passei pelo hospital Júlio Müller em nenhum dos estágios. Quando fui fazer minha matrícula, me perdi. No entanto, nos últimos dias de fevereiro quando efetivar minha matrícula, saí de lá com a certeza de que aquele era o local que me sentiria desconfortavelmente a vontade em estar. Dessas coisas que a gente não sabe dizer e só sentir.

Eu não sei muito bem como eu escolhi fazer residência. Minha trajetória acadêmica sempre me levou a vida acadêmica, a ser uma mestranda, doutoranda e quem sabe professora. A pesquisa me apetece, não a toa grupos de pesquisa e extensão estão presentes no meu currículo Lattes. Mas, o Lattes não mostra a singularidade do que foi vivido em cada trabalho, em cada grupo. Não mostra como eu fui feliz, mesmo em meio a conflitos, em cada coisa registrada na plataforma. Meus olhos brilhavam a cada coisa que fazia. Frente a minha trajetória acadêmica, posso dizer que o Hospital seria – e é – o local que me dá certa estabilidade financeira e, principalmente, me desafia. E, mesmo assim, me faz feliz.

Espero que vocês conheçam Frida Khalo, pois é dela a frase que diz algo como “onde não houver amor, não te demores”. Bom, ainda almejo voltar de fato para a carreira acadêmica. Mas, é fundamental para esse momento da minha vida profissional lidar com várias áreas do conhecimento da Saúde e ter que afirmar todo o dia qual é o meu lugar enquanto profissional de psicologia. Pois, é frente a esses questionamentos que a minha identidade profissional é constituída e, principalmente, transmitida. Eu queria, lá no meu fim, aguaçar a minha escuta. E, minhas caras e meus caros, o Hospital é campo fértil para isso. Quando me perguntam: como está a residência? Além de responder que está incrível, eu respondo que aprendo a ser humilde frente as escutas que realizo. Porque muitas vezes ser psicóloga é só escutar e, pasmem, isso é suficiente.

Então, retomando a Frida, eu preciso frente ao meu modo de ser e também de sofrer estar em meio a coisas que me arrepiem o corpo, que me fazem brilhar os olhos, que fazem meu coração pulsar, assim eu consigo demorar, ao menos até 2019, quando a residência chegará ao fim. Veja só, daqui um tempo terei que me haver com meus desejos de novo. Por hora, consigo demorar e entender que ser residente de psicologia é me posicionar, é responder por mim mesma e andar com as minhas próprias pernas. É a cada dia crescer e acreditar, junto com as demais psicólogas residentes, que sei a minha função profissional vinculada a ética que nos resguarda. Psicólogas/os geralmente escutam, mas não se esqueçam: é fundamental que a nossa boca se abra para falar daquilo que somos, ao menos, profissionalmente.

Isso é um pouco das minhas barreiras e anseios. Mas, e vocês, quais são as barreiras e anseios? Mas, e vocês, onde querem demorar? Mas, e vocês, o que querem e do que dão conta? Mas, então, o que querem os estudantes de psicologia da UFMT? Mas e vocês, conseguem se colocar a escutar a si, primeiramente, e assim os outros?

Enfim, bom percurso a vocês, dentro daquilo que lhe é possível.
Grata pela escuta e convite.
Com carinho e disponível a conversar em outros momentos com vocês,
Vanessa, psicóloga residente do HUJM, mas não só.


Esta carta foi apresentada durante a VI Semana da Psicologia da UFMT (campus Cuiabá), cujo tema foi “Psicologias em debate: interfaces e atuação”. Participaram da mesa “Egressos da UFMT” junto comigo as psicólogas Luana Peralta, Ruzia Chaouchar e Taysa Castrillon e o psicólogo Victor Hugo de Souza.

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O Acompanhamento Terapêutico é assim…

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Marcado por encontros, com algo e/ou alguém que não se conhece. É como se colocar em uma viagem, onde você pode até saber o destino, mas o mapa que você tanto viu por algum aplicativo ou uma tela do computador vai ganhar um olhar-lupa e mostrar detalhes possíveis somente com os encontro.

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Um fazer com. Se você fosse uma espécie de brinquedo, em meio a uma roda com pessoas desconhecidas e, além disso, fosse lançado/a de mão em mão, de olhos fechados, haveria confiança? A resistência do seu corpo e “alma” seriam leves e entregues o suficiente para seguir o ritmo de um/a outro/a? Se seus olhos fossem vendados e tivesse que andar por aí, com outra pessoa, você iria? E o seu território comum, a cidade que você habita e pode ser desconhecida: consegue andar por ela e talvez com ela? O fazer com não diz respeito só ao saber que encontramos nas nossas grandes referências bibliográficas, o fazer com é conosco, com o outro que acompanhamos e que, de certa forma, nos acompanha também.

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Marcado por respeito antes, durante e depois de entrar no palco. Aprendemos nessa caminhada, com o palhaço. Seu nariz não é colocado à toa. Ele não é tocado a todo o momento, há distanciamento. Quando confronta o seu público, as reações são ímpares. Ou melhor, pares: com os outros gque estão a sua frente. Lança-se ao desconhecido. Pode até ter uma caixa cheia de objetos para compor a cena, para entretê-la e entende-la, mas, às vezes, há a surpresa.  Parece-me que ela, a surpresa, é como aquela primeira mordida de churros: extremamente gostosa, um profusão de sabores, e só ao longo da degustação, com certa calma, cada sabor encontra o seu lugar. Alguns outros são perdidos, mas não há a pretensão de dar conta de tudo. Para tentar isso, sempre há outro churros, outra cena, outro território e assim o caminhar continua.  Por mais que pareça, não é solitário.

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Permitir que o outro entre: na sua casa, no seu cotidiano, naquilo que te compõe e muitas vezes ficam guardadinhas como algo precioso ou muito dolorido. As janelas e portas são abertas e muitas vezes, por mais difícil que seja aceitar, fechadas inesperadamente. É um trabalho sempre entre: entre a casa e o serviço de saúde; entre o esconderijo e a imensidão da cidade; entre a margem e o centro. Entre acompanhante e acompanhado e, de entre em entre um desterritorializar, intenso, constante e, com pouca dúvida, de trabalho paciente.

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Uma maneira de ocupação política dos espaços pela e com a loucura. A margem tem a sua beleza, não tenho dúvidas. Mas, os direitos ditos para todos, sabemos bem que não chegam lá. Quando os sujeitos ocupam outros espaços do/no centro, sejam eles mais próximos ou distantes de suas margens, vozes silenciadas até então aumentam e estranham. É como se algo despertasse instituições, população e cidade e dissesse “Hum, tem sujeito de direito na margem também”. E, mesmo que difícil essa ocupação, mesmo que atravessado por vozes, mesmo que muitas vezes em sua mão haja uma espada ou que ao andar de ônibus o seu comportamento não acompanhe a norma. Há espaço sim para esses sujeitos. Sendo assim, o AT é um dispositivo potente para construir e propiciar vias de funcionamento da rede de assistência pública, para aqueles que ouvem vozes ou para aqueles que não querem ouvir as vozes desses sujeitos tidos como marginais.

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Um tecer intenso e constante. É preciso um fim. Não cabe aqui eu alimentar meu ego e ficar horas a fio dizendo o que eu penso sobre o AT, até porque as afirmações tidas até aqui só me fizeram gerar outras questões. Eu, estranha que sou nessa cidade que tem inverno de verdade. Eu, que nunca tinha pensado outras formas de atuar na saúde pública, vi durante essa caminhada uma nova maneira de poder ser profissional psi. Os encontros ao longo desse semestre mostraram que é difícil esse abrir e se entregar ao outro. Que para isso é preciso que nossas fragilidades também sejam tensionadas. O nosso olhar, nunca vai ser para uma pessoa só, mas para os elementos que compõe a cena do acompanhamento como um todo. O tecer e na caminhada entre os vários entres que irão surgir. E é preciso ir, mesmo escuro ou claro demais, mesmo que a vista esteja embaçada. No horror e no humor sempre há beleza. Porém, fica o desejo de que a lente sempre tenha um sujeirinha que gere incomodo, para ser limpa e novas formas de ver o mesmo sejam possíveis de serem vistas e construídas.


Texto escrito como parte da disciplina “Introdução ao Acompanhamento Terapêutico” na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Lecionada pela profa. Analice Palombini, acompanhada pela profa. Rita Passini e pela estagiária docente Rita Barboza.

Quando a Teoria Queer vai ao supermercado

Sobre a cena

Qual cena do cotidiano poderia ser estranha e, além disso, por a pensar sobre “(Des) Construções identitárias”? Qual espaço poderia causar estranhamento, onde identidades sólidas, construídas socialmente estavam em movimento de desconstrução por meio de ações e pensamentos da Teoria Queer?

Alguma palestra? Algum grupo de estudos? Algum espaço fora da Universidade onde tal temática fosse tratada? Poderia ser, mas não foi. Escolhemos[1] o lugar no qual vamos ao menos uma vez por semana: o supermercado Zaffari, localizado na rua Lima e Silva, Cidade Baixa, Porto Alegre – RS.

Chegamos por volta das 9 horas da manhã de uma segunda-feira e lá percebemos uma movimentação tranquila. Havia homens e mulheres, obviamente. Foi possível observar (ou seria dar mais atenção?) a algumas situações: a função de caixa era exercida somente por mulheres, e o carregamento de caixas ou empacotamento dos produtos por homens. Sim, encontramos sessões onde o binarismo é claramente marcado por cores, por imagens, por slogans. Homens acompanhados de listas de compras; mulheres que já conheciam o caminho para corredores específicos de cór. Idosos e idosas, adolescentes, jovens e adultos: aparentemente um local de convívio democrático.

Sendo assim, nossa cena não é estranha, é corriqueira. Porém, com o auxilio das discussões tida na disciplina de Gênero e Sexualidade, conduzida pela profa. Paula Sandrine e suas estagiárias docentes Daniela Dell’Aglio e Marilía Saldanha questões foram colocadas em jogo. Questionar o cotidiano, a partir de algumas teóricas Queer foi um movimento interessante. Afinal, não é disso que se trata? Olhar para o mais do mesmo e fazer uma releitura de tal cena sob a ótica de uma teoria? Me parece que sim. Isso não significa que encontramos ou pretendíamos encontrar respostas diante de ene problemáticas. Significa colocar o pensamento em movimento. Pensar, rascunhar críticas, exercitar de certa forma a empatia com o outro e questionar, sempre. As questões incitam movimento – de pensar e agir –, acredito eu, e sem elas a observação não faria tanto sentido.

É difícil, depois das discussões, da observação e da disciplina como um todo, olhar para propagandas de produtos vendidos em estabelecimentos como o observado e não imaginar que a mídia tem influência sim, e tem uma força discursiva impar na marcação (ou seria segregação?) binária dos sexos. É impossível olhar propagandas que mostram casais gays e lésbicos que realizam gestos de afetos e não questionar até que ponto isso é à favor de uma causa ou é só (mais um) jogo midiático e capitalista. Talvez, o questionar venha com esse cunho crítico. Mas, para fazer algumas afirmações ao longo desse escrito, a partir da observação do cotidiano descrito brevemente acima, é preciso demarcar o meu lugar de fala.

Quem fala e de onde fala

 Por muito tempo não me sentia implicada em discussões sobre gênero e sexualidade. Questões políticas então? Jamais! Acreditava que quanto mais quieta e longe de discussões desse cunho, melhor. Até começar a entender que o silêncio também marca um posicionamento, um lugar de onde o seu pensamento e ações são produzidos e com esse território não estava mais contente.

Foi durante algumas disciplinas realizadas no semestre de 2015/1 no curso de Psicologia da UFRGS que discussões com essas temáticas me atravessaram e, com a absoluta certeza, continuará como um sussurro ou um berro por muito tempo em meus pensamentos e ações.

Eu, mulher heterossexual, cisgênero de classe média me ponho a escrever aqui sobre questões de gênero e sexualidade. Principalmente, como a observação do cotidiano pode auxiliar a pensar sobre as (des) construções identitárias. De antemão, deixo registrado a minha dificuldade em conseguir escrever de maneira tal que todas as pessoas sintam-se contempladas e respeitadas. A escrita padrão do nosso “Brasil brasileiro” diz da nossa história como colônia, das marcas – arrisco a dizer – do binarismo de gênero construído há décadas e, infelizmente não consigo me livrar delas, ainda.

Em uma escrita tateante, buscando compreender e por em movimento o meu pensar sobre grupos tidos como minoritários a partir de uma cena comum e potente. Passarei brevemente pela teoria queer, cuja qual pouco sei, e que é o suficiente para dar continuidade as próximas linhas. Atenção: isso é um exercício, uma aposta. Possivelmente terá escorregadas, mas tentarei ter alguns pontos definitivos também, afinal, algumas certezas são necessárias (mesmo que depois outras relações sejam construídas e elas mudem).

Queer?! Talvez, cu!

Nesses quase quatro anos de graduação já ouvi falar sobre a teoria queer. Não sabia sua origem, de onde vinha e do que se alimentava. Ainda não sei com propriedade, mas algumas afirmações já podem ser feitas.

Primeiramente, queer é um termo que significa “um xingamento, é um palavrão em inglês” (MISKOLCI, 2012, p. 25). Quando falado em português parece uma palavra intelectual, que diz de pessoas que devem ser respeitada. Mas não podemos perder de vista o contexto em que ela surge.

Sabe-se que a AIDS em sua origem foi dramática. Médicos e a população mundial ficaram assustados com essa epidemia sem solução. Como era (e ainda é) vinculada a relação sexual gay, principalmente, tal epidemia contribui para a caracterização de gays e lésbicas como disseminadores de tal doença. Não é a toa que Miskolci (2012) afirma que a aids é sim um fato biológico, mas também uma construção social, onde “na primeira oportunidade, os valores conservadores e os grupos sociais interessados em manter tradições se voltaram contra as vanguardas sociais” (p.23). Foi nesse cenário, que na segunda metade da década de 1980 nos Estados Unidos, o movimento gay e lésbico se torna mais radical que o anterior contra uma força conservadora que ganha holofotes novamente.

A aids, portanto, foi um catalizador biopolítico que gerou formas de resistência mais astutas e radicais, materializadas no ACT UP, uma coalizão ligada à questão da aids pra atacar o poder e no Queer Nation, de onde vem a palavra queer, a nação anormal, a nação esquisita, a nação bicha. […] É assim que surge o queer, como reação e resistência a um novo momento biopolítico instaurado pela aids. (MISKOLCI, 2012, p. 23-24).

 Com esse breve contexto histórico é impossível afirmar que o efeito da palavra queer nos Estados Unidos é o mesmo que aqui no Brasil. Queer é uma palavra que nada diz ao senso comum, como afirma Pelúcio (2014), e também não fere os ouvidos de ninguém quando dito em ambiente acadêmico,

“ao contrário, soa suave (cuier), quase um afago, nunca uma ofensa. Não há rubores nas faces nem vozes embargadas quando em um congresso científico lemos, escrevemos ou pronunciamos queer. Assim, o desconforto que o termo causa em países de língua inglesa se dissolve aqui na maciez das vogais que nós brasileiros insistimos em colocar por toda parte. De maneira que a intenção inaugural desta vertente teórica norte-americana, de se apropriar de um termo desqualificador para politizá-lo, perdeu-se no Brasil” (PELÚCIO, 2014, p. 4).

Para pensar sobre qual palavra traria o mesmo efeito que o queer no Brasil, ou nos países latinos de maneira geral, Pelúcio apresenta toda uma argumentação sobre falarmos em uma teoria cu, baseado em Paul Beatriz Preciado, mas não só. Quando falamos em cu por aqui, há certo constrangimento e rubor como apontado no trecho acima. Assim, concordo com argumentos apontados por Pelúcio em seu texto Traduções e torções ou o que se quer dizer quando dizemos queer no Brasil?, sobre falarmos de uma teoria cu,  pois só assim poderíamos nos aproximar do significado da palavra em inglês em nosso país.

Sobre a teoria queer, ainda é preciso salientar sobre o conceito de abjeção apontado por Miskolci (2012), vejamos:

Alguém atento percebe como a problemática queer não é exatamente a da homossexualidade, mas a da abjeção. Esse termo, “abjeção”, se refere ao espaço a que a coletividade costuma relegar aqueles e aquelas que considera uma ameaça ao seu bom funcionamento, à ordem social e política. […] A abjeção, em termos sociais, constitui a experiência de ser temido e recusado com repugnância, pois sua própria existência ameaça uma visão homogênea e estável do que é a comunidade. O “aidético”, identidade do doente de aids na década de 1980, encarnava esse fantasma ameaçador contra o qual a coletividade expunha seu código moral” (MISKOLCI, 2012, p. 23).

A partir dessa afirmação podemos pensar que não há espaço para algumas pessoas nos supermercados, pois elas podem ser vistas como fantasmas, como ameaça a “família tradicional brasileira”. Mas seria tais pessoas somente a comunidade gay?  Ou melhor, seriam somente os gays aqueles defendidos pela teoria queer? Não, como afirma Miskolci (2012, p. 25):

O queer, portanto, não é uma defesa da homossexualidade, é a recusa dos valores morais violentos que instituem e fazem valer a linha da abjeção, essa fronteira rígida entre os que são socialmente aceitos e os que são relegados à humilhação e ao desprezo coletivo.

Todos aqueles que fogem a uma norma socialmente construída pode cair na fronteira da abjeção. Como os supermercados ficariam fora, não é mesmo? Quando escolhemos esse local, ingênuas queríamos ver a Teoria Queer ali, naquele espaço. Queríamos pegar na mão de uma teoria e levar ela para passear, fazer compras e ao se deparar com um produto X ou Y ter opções que a contemplasse.

Na verdade, com essa observação pudemos apenas entender que a Teoria Queer não chega a pessoas, por exemplo, que gerenciam o marketing de cada produto. No entanto, ela diz de grupos que costumamos a chamar de minoria, – e que cada vez mais tenho certeza que se trata de uma maioria – que gritam e clama por direitos, mas o lugar de fronteira não deixa que elas sejam ouvidas. Aliás, queremos ouvi-las? Quão aberto os ouvidos estão para essas várias vozes?

Em aula foi possível discutir um pouco sobre a diversidade e a diferença. Quando supermercados abrirem suas portas para as questões de Gênero e Sexualidade, tenho pouca dúvida que irá se tratar de “aceitar a diversidade”. Em outras palavras, quando se fala em diversidade estamos (ou podemos) falar de uma tolerância com pessoas de determinada cor, raça, gênero, entre outros. Precisamos de supermercados e demais espaços que abram suas portas para a diferença, pois aí sim, aquilo que é da identidade de cada um, da singularidade, daquilo que cada um é constituído ganharia holofotes.

Dessa forma, acredito eu, a teoria queer encontraria seu espaço no supermercado e em várias instituições e instâncias da nossa sociedade. E mais, a fronteira da abjeção seria desconstruída, mesmo que para isso seja necessária várias marretadas.

Porque é preciso de um fim…

Mas um fim cheio de lacunas, já que não acredito ser possível dar conta de tudo. Pelo menos não agora.

Diante do que aqui foi exposto me sinto a vontade para afirmar que a Teoria Queer ainda tem uma característica muito academicista. Ao menos a partir do pouco contato que com ela tenho. Então, como lacuna fica o convite para pensar sobre o agir: quais as formas estão sendo criadas para que espaços não acadêmicos conheçam essa forma de pensar? Quais ações populares, dessas que chega a comunidades e até mesmo a patrões, pautados nessa teoria (e também política, que aqui não foi abordada) queer? Como, estudantes, professores, pesquisadores e demais comunidade acadêmica está se engajando em ações que contemplem pautas daqueles que são barrados pela fronteira da abjeção e assim permanecem na margem? Como eu estou me implicando nisso ou procurando me implicar?

Acredito que as discussões de gênero e sexualidade podem ser lidas de diversas formas. Acredito que com algumas eu concorde mais do que outras, e todas elas tem a sua legitimidade. Entro em contato com esse tipo de discussão na Universidade e durante toda a minha formação na Educação Básica de Nível Fundamental e Médio tais discussões não eram tratadas, isso não significa que não existiam e que nos dias de hoje não existam. Usamos outra palavra em inglês para algumas ações discriminatórias, popularizada nas escolas e em outros espaços também, conhecida e reconhecida como o bullying. Isso não seria suficiente para que a dita “ideologia de gênero” fosse aprovada nos estados brasileiros? Diante da recusa em institucionalizar essas discussões nas salas de aulas do país, haverá o silêncio? Os currículos são tão rígidos assim? E as frestas que ele deixa? O trabalho de formiguinha não é considerado? Mais uma vez, como e quanto cada um de nós estamos implicado em questões como essas?

Quem discute? Quem escreve? Quem milita nessa/com/por essas causas marginais? Quanto quer? Quanto pode? Quais os caminhos? Como e onde é compartilhado o conhecimento, a discussão? Há mãos estendidas? Há ouvidos para os sussurros e os berros? Há busca para ruminar as questões que coloca em voga questões de gênero, sexualidade e demais demandas sociais? Construções há muito tempo enrijecidas tem seu ponto de ruptura, vamos romper? Queremos romper? Podemos romper? Lutaremos? É, como diz várias vozes em passeatas de alguns ou de quase todos movimentos sociais: a nossa luta é todo dia e, a cada dia mais tenho a certeza que as micro ações são tão potentes quanto as macros. Uma última questão: vamos lutar, pensar, agir e legitimar as questões marginais?

[1] O Grupo foi formado por Irene Bermúdez, Katherine Rebolledo e Vanessa Proença.

Referências

MISKOLCI, Richard. Cap I e II. In: MISKOLCI, Richard. Teoria Queer: um aprendizado pelas diferenças. Belo Horizonte: Autèntica Editora: UFOP, 2012, p. 21-53.

PELÚCIO. Larissa. Traduções e torções ou o que se quer dizer quando dizemos queer no Brasil? Periódicus, 2014, v.01, pp.15-39.


Texto escrito, originalmente, para a disciplina “Gênero e Sexualidade” do Curso de Psicologia da UFRGS,  ofertada pela Profa. Dra. Paula Sandrine e acompanhada por suas estagiárias docentes Daniela Dell’Aglio e Marilía Saldanha. Tal texto é oriundo de uma observação do cotidiano, onde era necessário tratar sobre “(Des) Construções Identitárias” a partir da Teoria Queer. É um texto experimental, baseado nas referências citadas e nas discussões ao longo do semestre.

18 de Maio: comemoração ou luta?

Sim, fui dessas que começou a fazer Psicologia por “sempre ouvir os amigos”, por “não ter nada de matemática”, “porque eu posso entender melhor os outros e a mim mesma”. Cheguei a responder, no início das aulas onde os professores vez ou outra nos questionavam “Por que você escolheu fazer Psicologia?” que não sabia a razão disso.

A verdade é que fui tola em todas as minhas conclusões, exceto a de não saber a razão da minha escolha pelo curso. Não sabia nomear, mas ela existia de alguma forma e me movimentou a fazer essa escolha, da qual não me arrependo. Percebi, então, que aprendemos também na graduação várias coisas das quais caímos na velha questão: “onde eu vou usar isso na minha vida?”. No entanto, outras temáticas me fisgaram de tal forma que me fazem hoje dizer: é isso que eu quero, que eu gosto e que eu vou investir.

Quando descobri que Psicologia não se reduz a duas pessoas dentro de uma sala e que havia outras formas de atuação, meus olhos brilharam. Até eu ter a experiência clínica, vou achar ela muito assustadora (e desafiadora também). Há, infelizmente, a visão de que os psicólogos cuidam dos loucos. Tenho algumas questões com o termo “cuidar” e, principalmente “loucos”. Ao decorrer do texto provavelmente será possível perceber a minha posição sobre esses dois termos.

Ensaio realizado no antigo Hospício abandonado de Brodowski - SP | Daniel Perini

Ensaio realizado no antigo Hospício abandonado de Brodowski – SP | Daniel Perini

É preciso aceitarmos o fato de que a loucura é uma construção social, com implicações sociais, culturais, políticas e econômicas. Por muito tempo construímos diversas formas de lidar com ela, de aceitá-la e o mais comum: de excluí-la. Não consigo escrever sem citar “História da Loucura” de Michel Foucault, acredito que ele foi um autor muito importante para compreendermos os movimentos tomados em nossa sociedade, seja ela a brasileira, a francesa ou a italiana, em relação a loucura. Como afirma João Paulo Macedo, em uma resenha sobre a obra, é um livro-ferramenta para as discussões sobre saúde mental, posição essa que concordo.

Confesso, não li a obra por completo. Mas, sempre que penso sobre o pouco que li e as experiências de discussões que venho tendo sobre Saúde Mental, loucura, atuação profissional e Políticas Públicas, uma questão reina: Quem é o louco? Como as pessoas os veem? Como eu os vejo?

Ensaio realizado no antigo Hospício abandonado de Brodowski - SP | Daniel Perini

Ensaio realizado no antigo Hospício abandonado de Brodowski – SP | Daniel Perini

Os loucos me encantam. Veja bem, não acredito que são esses pessoas perfeitas para ficarem reclusas em instituições afastadas, garantindo a higienização dos espaços públicos. Os loucos são pessoas com as quais devo aprender e construir saber sobre eles, com eles.  Obviamente, isso não é um pensamento original. Fazer com que a massa olhem e ouçam é um movimento de muitos, ainda bem.

Hoje, 18 de maio, comemora-se o dia da Luta Antimanicomial ou dia do Movimento Antimanicomial. O que temos para comemorar? A Reforma Psiquiátrica é um ponto a ser comemorado, iniciada nos anos 70 contra as instituições manicomiais, sustentadas por profissionais da saúde, usuários do serviço e seus familiares. Essa luta ganha âmbito legislativo com a Lei 10.216, promulgada em 2011, proposta pelo Deputado Paulo Salgado em 1989, instigando assim a luta pela Reforma Psiquiátrica.

A Reforma Psiquiátrica não se reduz a desinstitucionalização. É preciso mudanças na formação profissional, por exemplo. É preciso entender que Hospitais Psiquiátricos são instituições prescindíveis. Pode parecer que sim, mas medicalização não é a única saída, então a Reforma Psiquiátrica exige a criação de outras práticas com os sujeitos ditos loucos. Exige uma implicação não só do campo da Saúde, mas também da Educação, do Direito, da Cultura e todo e qualquer aspecto social, econômico e cultural no qual esses sujeitos estão implicados, assim como eu e você. É uma mudança buscada há anos, e obviamente encontra seus pontos de conflitos, divergências e aniquilamento, de certa forma.

Ensaio realizado no antigo Hospício abandonado de Brodowski - SP | Daniel Perini

Ensaio realizado no antigo Hospício abandonado de Brodowski – SP | Daniel Perini

Às vezes, ou na maioria das vezes, tenho a sensação que a nossa sociedade vem sofrendo retrocessos. A luta de todos os dias na questão antimanicomial é para que cenários como o do Holocausto Brasileiro, não se repitam. A luta de todos os dias é para que não existam mais Cidades dos Loucos. A luta de todos os dias é para que toda uma rede de assistência à saúde funcione, que as instituições de saúde mental não fiquem à margem social, bem como seus usuários e profissionais. Há avanços, mesmo que difíceis de serem alcançados e percebidos em meio a todo descaso sofrido. Porém, em meio a luta para romper com paradigmas domesticadores de corpos, percebemos que a população não pode participar de discussões “na casa do povo” sobre a política de Saúde Mental do Estado. Além disso, vemos coordenador de Saúde Mental do Estado falando que “os dependentes químicos são cidadãos infratores e devem estar nos hospícios ou cadeias” e que “prioridade é combater o crack e outras drogas com as melhores armas do governo”.

Como uma das medidas tomadas para a desinstitucionalização dos usuários, há o serviço das Residências Terapêuticas, que são fechadas por falta de recurso, mas será só isso? Apesar dos links fazerem referência ao Rio Grande Sul, penso eu que seja uma realidade nacional. Alguns políticos colocam em cena a discussão sobre a Reforma Psiquiátrica, porém o que deve ser discutido é como ela será cumprida, e não vias de retroceder a ela. Reforma Psiquiátrica não é desculpa para formas de atuação que a contradizem por completo e me parece que é isso que vemos, infelizmente.

Diante do exposto, acredito que o dia de hoje não é só de comemoração pelas conquistas e por ações efetivas de cumprimento da Reforma Psiquiátrica. Mas, também é dia de incomodo, é dia de luta, é dia de não abaixar a cabeça diante da desumanização vista, dos discursos totalmente retrocedentes e divergentes do que a Política de Saúde Mental vigente exige.

Ensaio realizado no antigo Hospício abandonado de Brodowski - SP | Daniel Perini

Ensaio realizado no antigo Hospício abandonado de Brodowski – SP | Daniel Perini

Meus passos nesse movimento são lentos e curiosos. Não acredito que a única forma de ajudar a pensar e enfrentar essas questões e contradições é indo para as ruas, mas é a forma que mais chama à atenção de quem tem poder para mudar esse cenário, ou pelo menos deveria. Os espaços precisam ser ocupados, sejam eles as ruas ou as redes sociais. Sejam eles no bar, na praça, ou em casa.

Hoje é dia de pensar nas lutas de todos os dias, e de tanto pensar foi preciso escrever para ver se acalma um pouco todas essas barbaridades vistas em relação aos loucos. Os loucos sabem que seus espaço não é atrás de grades, presos em quatro paredes, e nós, pacatos cidadãos, também deveríamos de uma vez por todas entender isso.

Como futura profissional, meu esforço será para que eu não esqueça a minha responsabilidade em relação a esses sujeitos. Não esquecer que apesar do cuidado que é necessário se ter, isso não significa tutela, ou seja, mesmo em espaços institucionais o esforço deve ser de caminhar com eles e não por eles. Ganhar espaços para eles, com eles e não de forma que sua subjetividade seja esquecida. Assim como eu, eles também devem ter a oportunidade e o direito de ser quem se é, por mais difícil que isso seja. Por mais que sua constituição não seja a mesma que a minha. Por essas e outras razões, a luta é todo dia para que haja, de fato, motivos para se comemorar.

Ensaio realizado no antigo Hospício abandonado de Brodowski - SP | Daniel Perini

Ensaio realizado no antigo Hospício abandonado de Brodowski – SP | Daniel Perini


As fotos do post são de autoria do fotógrafo Daniel Perini e o ensaio completo pode ser visto aqui

Vamos falar sobre Mobilidade Acadêmica?

 Olá, tudo bem com vocês?  🙂

Se você está aparecendo por aqui pela primeira vez, meu nome é Vanessa. No momento em que escrevo esse texto me encontro em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul – BR. Não sou daqui e confesso que ainda me sinto esquisitamente feliz nessa cidade. Vim para cá há uma semana  para realizar Mobilidade Acadêmica. Mas, o que é isso? Do que se alimenta? Bom,  vou tentar falar um pouco sobre isso para vocês abaixo, vamos lá?

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O que é Mobilidade Acadêmica?
Na verdade, Mobilidade é o nome de um Programa da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), que tem como objetivo regulamentar e possibilitar uma cooperação técnica-científica entre as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES).

Tanto a UFMT quanto a UFRGS são conveniadas a esse Programa de Mobilidade da ANDIFES. Foi ele que me permitiu sair do ninho por um semestre. Agora, faço Psicologia na UFRGS e não mais na UFMT. Dá saudade sim, mas não mata ninguém.

Quantas instituições estão vinculadas?
A ANDIFES disponibiliza um documento em seu site onde constam 64 IFES conveniada a esse Programa. Corre lá e vê se a sua instituição não está no meio e comece a pensar na possibilidade de fazer mobilidade 😉

Quem pode participar?
Você  é aluna ou aluno de alguma IFES? Então, pronto! Você já pode participar!
Aliás, calma. A burocracia existe e é preciso se ater aos seguintes critérios para participar:

  • Ter concluído 20% da sua graduação. Isso equivale aos dois primeiros semestres do seu curso.
  • Caso a pessoa tenha interesse em sair para mobilidade no seu terceiro semestre, só poderá realizar isso se tiver até duas reprovações (uma em cada semestre). Então, meus caros, tomem cuidado com aquelas aulas faltadas para ir ao bar com os amigos. Se você quer sair em semestres posteriores ao terceiro, devem atentar-se a essas reprovações. É só uma em cada semestre que antecede a sua ida.
  • Está no último ano da sua graduação? Desculpas, mas não há mais tempo para você. As saídas para Mobilidade exigem que você tenha 20% da sua graduação concluída e que falte até 20% do curso para você terminar. 😦

Ok. Quero participar, como faço?
Atente-se aos editais da Pró-Reitoria de Graduação da sua IFES, é o setor de Mobilidade Acadêmica de cada IFES que cuidará dos tramites institucionais do aluno ou da aluna. No documento de Convênio com a ANDIFES consta que as Instituições devem manifestar interesse até 31 de maio do ano vigente, para os alunos que desejam ingressar no segundo semestre letivo em outra Instituição. Ou, até 31 de outubro, caso o interesse seja no primeiro semestre letivo do próximo ano.

É por meio dos editais que os alunos poderão se informar sobre os prazos de entrega de documentos, por exemplo, e quais são eles. Além de critérios que cada instituição pode expor nesse edital.  São os editais que irão apresentar aos alunos um cronograma de datas ,de acordo com os prazos já estipulados pelo Programa.

Ganho bolsa para fazer essa mobilidade?
Bom… depende. O Edital ao qual eu concorri previa bolsa para os alunos selecionados. Caso tivesse algum aluno que manifestou interesse por meio do Edital e não foi selecionado mas, mesmo assim, quisesse fazer mobilidade, era só informar à Pró-Reitoria para que eles enviasse o interesse do aluno para a IFES desejada.

Atenção! Nesse tipo de Edital duas coisas estavam em jogo para mim:

  1.  Conseguir uma bolsa que me ajudaria no período em que estivesse na IFES para a qual manifestei interesse em ir. Sendo assim, esquece isso de que haverá passagem, plano de saúde e vale alimentação na conta da Dilma, não estamos falando de CsF (brimks, pois esse programa tem restrições também e volto em outro momento para falar dele). A bolsa conseguida via Edital só é depositada em sua conta a partir do mês em que suas aulas começam (por favor, alguém que libera minha bolsa, se você estiver lendo, já pode liberar).
  2. Após ter sido aprovada nesse Edital interno da UFMT, concorrendo a bolsa, vem o momento de vácuo eterno, dependendo da Universidade que você escolher para ir. Após o Edital, a Pró Reitoria de Graduação da UFMT entrou em contato com a da UFRGS. Esse contato é necessário para ver a disponibilidade de vaga para o meu curso e aguardar o envio da Carta de Aceite. A partir disso, a burocracia para oficializar que eu sou uma “aluna em mobilidade” é efetivado.

Então, envolve um tempo de espera e ansiedade, caso você seja igual eu.
O segundo ponto acima ocorre caso o aluno queira ir para Mobilidade, independente de ter bolsa ou não.

Como escolher a melhor IFES?
Isso é preciso ver com cuidado. Eu escolhi UFRGS por algumas razões, como conhecer algumas pessoas aqui, já conhecer a Universidade por meio de Eventos Acadêmicos e parcerias que a UFRGS tem com o grupo de pesquisa que participo na UFMT. Então, isso conta muito: estar mais familiarizada com o lugar.

Mas, se você quer ir para Federal do Ceará por conta das belas praias ou para a Federal de São Paulo e não conhece nenhum desses lugares, eu tenho uma dica: se joga. É possível obter informações sobre esses lugares na internet, grupos no Facebook estão aí para isso. Desafios são bons, eu sei e você sabe, e se você não tem nada a perder o que te impede de ir?

Um fator que auxilia na escolha também é o Currículo do Curso. A Psicologia da UFRGS é diferente da UFMT. Faço disciplinas aqui que nunca faria lá, além de discussões que nunca tive durante a graduação. Estou quase no final do curso, no final desse semestre faltará um ano, e em questões acadêmicas (mas não só) esse momento está sendo muito importante.

Eu só posso escolher fazer Mobilidade para o meu Curso?
Eu não sei muito bem o motivo de ter colocado isso aqui, pois a resposta é meio óbvia: sim, só pode sair da sua Universidade para fazer o mesmo curso em outra, com disciplinas diferentes. Vou colocar alguns pontos agora sobre como fiz para escolher as disciplinas e qual alternativa eu vejo caso você tenha interesse em algum curso que não o seu. (Juro que já está acabando e você pode ir assistir a sua série favorita).

  • Primeiro é preciso que o aluno saiba que você vai fazer um semestre em outra Instituição. Isso significa pensar em escolher disciplinas na Instituição para qual você quer ir, de maneira que elas possam ser equivalentes e eliminadas posteriormente. Então, escolhi disciplinas que fossem mais próximas das que faltam eu terminar na UFMT e também que eu tivesse mais interesse. E, depois dessa primeira semana, posso dizer que fiz boas escolhas. Quando eu chegar na UFMT, abro um processo e posso aproveitar as disciplinas que fiz aqui, lá e formar com a minha turma, espero eu 😀
  • Se tem algum curso que você deseja conhecer, escolha apenas uma disciplina dele na Universidade para a qual você vai. Ah, e isso pode ser feito na sua própria Universidade… na verdade, não sei se em todas, mas na UFMT pode.
  • Não preencha sua semana com mil aulas por dia. A  Universidade é bem mais do que aulas, vocês não sacaram isso ainda? Sem contar que vocês estarão em um lugar diferente, explore-o (essa última frase é uma dica para mim mesma).

Vale a pena?
Sim, claro, sem a menor dúvida.
“Não tenho recordação de felicidade igual, é tão diferente de tudo que senti que é deliciosamente assusta-dor.”

Para saber mais…
Pode parecer que sim, mas não sei isso sozinha, veja só:

  • Site da ANDIFES que tem mais detalhe da coisa toda.
  • Fiquem de olho no calendário acadêmico e/ou site da Pró Reitoria de Graduação da Universidade de vocês. Lá provavelmente tem informações gerais sobre documentação e editais anteriores.
    • Pró Reitoria de Graduação UFRGS
    • Pró Reitoria de Graduação UFMT

 

Textão né? Mas, acredito que tenha todas as informações básicas para vocês saberem um pouquinho sobre Mobilidade Acadêmica.

Vai ter mais posts assim, informativos. Caso tenham alguma temática em específico ou dúvida sobre essa é só deixarem nos comentários.

Obrigada por chegar até aqui.

Beijos,
Van.