Quando a Teoria Queer vai ao supermercado

Sobre a cena

Qual cena do cotidiano poderia ser estranha e, além disso, por a pensar sobre “(Des) Construções identitárias”? Qual espaço poderia causar estranhamento, onde identidades sólidas, construídas socialmente estavam em movimento de desconstrução por meio de ações e pensamentos da Teoria Queer?

Alguma palestra? Algum grupo de estudos? Algum espaço fora da Universidade onde tal temática fosse tratada? Poderia ser, mas não foi. Escolhemos[1] o lugar no qual vamos ao menos uma vez por semana: o supermercado Zaffari, localizado na rua Lima e Silva, Cidade Baixa, Porto Alegre – RS.

Chegamos por volta das 9 horas da manhã de uma segunda-feira e lá percebemos uma movimentação tranquila. Havia homens e mulheres, obviamente. Foi possível observar (ou seria dar mais atenção?) a algumas situações: a função de caixa era exercida somente por mulheres, e o carregamento de caixas ou empacotamento dos produtos por homens. Sim, encontramos sessões onde o binarismo é claramente marcado por cores, por imagens, por slogans. Homens acompanhados de listas de compras; mulheres que já conheciam o caminho para corredores específicos de cór. Idosos e idosas, adolescentes, jovens e adultos: aparentemente um local de convívio democrático.

Sendo assim, nossa cena não é estranha, é corriqueira. Porém, com o auxilio das discussões tida na disciplina de Gênero e Sexualidade, conduzida pela profa. Paula Sandrine e suas estagiárias docentes Daniela Dell’Aglio e Marilía Saldanha questões foram colocadas em jogo. Questionar o cotidiano, a partir de algumas teóricas Queer foi um movimento interessante. Afinal, não é disso que se trata? Olhar para o mais do mesmo e fazer uma releitura de tal cena sob a ótica de uma teoria? Me parece que sim. Isso não significa que encontramos ou pretendíamos encontrar respostas diante de ene problemáticas. Significa colocar o pensamento em movimento. Pensar, rascunhar críticas, exercitar de certa forma a empatia com o outro e questionar, sempre. As questões incitam movimento – de pensar e agir –, acredito eu, e sem elas a observação não faria tanto sentido.

É difícil, depois das discussões, da observação e da disciplina como um todo, olhar para propagandas de produtos vendidos em estabelecimentos como o observado e não imaginar que a mídia tem influência sim, e tem uma força discursiva impar na marcação (ou seria segregação?) binária dos sexos. É impossível olhar propagandas que mostram casais gays e lésbicos que realizam gestos de afetos e não questionar até que ponto isso é à favor de uma causa ou é só (mais um) jogo midiático e capitalista. Talvez, o questionar venha com esse cunho crítico. Mas, para fazer algumas afirmações ao longo desse escrito, a partir da observação do cotidiano descrito brevemente acima, é preciso demarcar o meu lugar de fala.

Quem fala e de onde fala

 Por muito tempo não me sentia implicada em discussões sobre gênero e sexualidade. Questões políticas então? Jamais! Acreditava que quanto mais quieta e longe de discussões desse cunho, melhor. Até começar a entender que o silêncio também marca um posicionamento, um lugar de onde o seu pensamento e ações são produzidos e com esse território não estava mais contente.

Foi durante algumas disciplinas realizadas no semestre de 2015/1 no curso de Psicologia da UFRGS que discussões com essas temáticas me atravessaram e, com a absoluta certeza, continuará como um sussurro ou um berro por muito tempo em meus pensamentos e ações.

Eu, mulher heterossexual, cisgênero de classe média me ponho a escrever aqui sobre questões de gênero e sexualidade. Principalmente, como a observação do cotidiano pode auxiliar a pensar sobre as (des) construções identitárias. De antemão, deixo registrado a minha dificuldade em conseguir escrever de maneira tal que todas as pessoas sintam-se contempladas e respeitadas. A escrita padrão do nosso “Brasil brasileiro” diz da nossa história como colônia, das marcas – arrisco a dizer – do binarismo de gênero construído há décadas e, infelizmente não consigo me livrar delas, ainda.

Em uma escrita tateante, buscando compreender e por em movimento o meu pensar sobre grupos tidos como minoritários a partir de uma cena comum e potente. Passarei brevemente pela teoria queer, cuja qual pouco sei, e que é o suficiente para dar continuidade as próximas linhas. Atenção: isso é um exercício, uma aposta. Possivelmente terá escorregadas, mas tentarei ter alguns pontos definitivos também, afinal, algumas certezas são necessárias (mesmo que depois outras relações sejam construídas e elas mudem).

Queer?! Talvez, cu!

Nesses quase quatro anos de graduação já ouvi falar sobre a teoria queer. Não sabia sua origem, de onde vinha e do que se alimentava. Ainda não sei com propriedade, mas algumas afirmações já podem ser feitas.

Primeiramente, queer é um termo que significa “um xingamento, é um palavrão em inglês” (MISKOLCI, 2012, p. 25). Quando falado em português parece uma palavra intelectual, que diz de pessoas que devem ser respeitada. Mas não podemos perder de vista o contexto em que ela surge.

Sabe-se que a AIDS em sua origem foi dramática. Médicos e a população mundial ficaram assustados com essa epidemia sem solução. Como era (e ainda é) vinculada a relação sexual gay, principalmente, tal epidemia contribui para a caracterização de gays e lésbicas como disseminadores de tal doença. Não é a toa que Miskolci (2012) afirma que a aids é sim um fato biológico, mas também uma construção social, onde “na primeira oportunidade, os valores conservadores e os grupos sociais interessados em manter tradições se voltaram contra as vanguardas sociais” (p.23). Foi nesse cenário, que na segunda metade da década de 1980 nos Estados Unidos, o movimento gay e lésbico se torna mais radical que o anterior contra uma força conservadora que ganha holofotes novamente.

A aids, portanto, foi um catalizador biopolítico que gerou formas de resistência mais astutas e radicais, materializadas no ACT UP, uma coalizão ligada à questão da aids pra atacar o poder e no Queer Nation, de onde vem a palavra queer, a nação anormal, a nação esquisita, a nação bicha. […] É assim que surge o queer, como reação e resistência a um novo momento biopolítico instaurado pela aids. (MISKOLCI, 2012, p. 23-24).

 Com esse breve contexto histórico é impossível afirmar que o efeito da palavra queer nos Estados Unidos é o mesmo que aqui no Brasil. Queer é uma palavra que nada diz ao senso comum, como afirma Pelúcio (2014), e também não fere os ouvidos de ninguém quando dito em ambiente acadêmico,

“ao contrário, soa suave (cuier), quase um afago, nunca uma ofensa. Não há rubores nas faces nem vozes embargadas quando em um congresso científico lemos, escrevemos ou pronunciamos queer. Assim, o desconforto que o termo causa em países de língua inglesa se dissolve aqui na maciez das vogais que nós brasileiros insistimos em colocar por toda parte. De maneira que a intenção inaugural desta vertente teórica norte-americana, de se apropriar de um termo desqualificador para politizá-lo, perdeu-se no Brasil” (PELÚCIO, 2014, p. 4).

Para pensar sobre qual palavra traria o mesmo efeito que o queer no Brasil, ou nos países latinos de maneira geral, Pelúcio apresenta toda uma argumentação sobre falarmos em uma teoria cu, baseado em Paul Beatriz Preciado, mas não só. Quando falamos em cu por aqui, há certo constrangimento e rubor como apontado no trecho acima. Assim, concordo com argumentos apontados por Pelúcio em seu texto Traduções e torções ou o que se quer dizer quando dizemos queer no Brasil?, sobre falarmos de uma teoria cu,  pois só assim poderíamos nos aproximar do significado da palavra em inglês em nosso país.

Sobre a teoria queer, ainda é preciso salientar sobre o conceito de abjeção apontado por Miskolci (2012), vejamos:

Alguém atento percebe como a problemática queer não é exatamente a da homossexualidade, mas a da abjeção. Esse termo, “abjeção”, se refere ao espaço a que a coletividade costuma relegar aqueles e aquelas que considera uma ameaça ao seu bom funcionamento, à ordem social e política. […] A abjeção, em termos sociais, constitui a experiência de ser temido e recusado com repugnância, pois sua própria existência ameaça uma visão homogênea e estável do que é a comunidade. O “aidético”, identidade do doente de aids na década de 1980, encarnava esse fantasma ameaçador contra o qual a coletividade expunha seu código moral” (MISKOLCI, 2012, p. 23).

A partir dessa afirmação podemos pensar que não há espaço para algumas pessoas nos supermercados, pois elas podem ser vistas como fantasmas, como ameaça a “família tradicional brasileira”. Mas seria tais pessoas somente a comunidade gay?  Ou melhor, seriam somente os gays aqueles defendidos pela teoria queer? Não, como afirma Miskolci (2012, p. 25):

O queer, portanto, não é uma defesa da homossexualidade, é a recusa dos valores morais violentos que instituem e fazem valer a linha da abjeção, essa fronteira rígida entre os que são socialmente aceitos e os que são relegados à humilhação e ao desprezo coletivo.

Todos aqueles que fogem a uma norma socialmente construída pode cair na fronteira da abjeção. Como os supermercados ficariam fora, não é mesmo? Quando escolhemos esse local, ingênuas queríamos ver a Teoria Queer ali, naquele espaço. Queríamos pegar na mão de uma teoria e levar ela para passear, fazer compras e ao se deparar com um produto X ou Y ter opções que a contemplasse.

Na verdade, com essa observação pudemos apenas entender que a Teoria Queer não chega a pessoas, por exemplo, que gerenciam o marketing de cada produto. No entanto, ela diz de grupos que costumamos a chamar de minoria, – e que cada vez mais tenho certeza que se trata de uma maioria – que gritam e clama por direitos, mas o lugar de fronteira não deixa que elas sejam ouvidas. Aliás, queremos ouvi-las? Quão aberto os ouvidos estão para essas várias vozes?

Em aula foi possível discutir um pouco sobre a diversidade e a diferença. Quando supermercados abrirem suas portas para as questões de Gênero e Sexualidade, tenho pouca dúvida que irá se tratar de “aceitar a diversidade”. Em outras palavras, quando se fala em diversidade estamos (ou podemos) falar de uma tolerância com pessoas de determinada cor, raça, gênero, entre outros. Precisamos de supermercados e demais espaços que abram suas portas para a diferença, pois aí sim, aquilo que é da identidade de cada um, da singularidade, daquilo que cada um é constituído ganharia holofotes.

Dessa forma, acredito eu, a teoria queer encontraria seu espaço no supermercado e em várias instituições e instâncias da nossa sociedade. E mais, a fronteira da abjeção seria desconstruída, mesmo que para isso seja necessária várias marretadas.

Porque é preciso de um fim…

Mas um fim cheio de lacunas, já que não acredito ser possível dar conta de tudo. Pelo menos não agora.

Diante do que aqui foi exposto me sinto a vontade para afirmar que a Teoria Queer ainda tem uma característica muito academicista. Ao menos a partir do pouco contato que com ela tenho. Então, como lacuna fica o convite para pensar sobre o agir: quais as formas estão sendo criadas para que espaços não acadêmicos conheçam essa forma de pensar? Quais ações populares, dessas que chega a comunidades e até mesmo a patrões, pautados nessa teoria (e também política, que aqui não foi abordada) queer? Como, estudantes, professores, pesquisadores e demais comunidade acadêmica está se engajando em ações que contemplem pautas daqueles que são barrados pela fronteira da abjeção e assim permanecem na margem? Como eu estou me implicando nisso ou procurando me implicar?

Acredito que as discussões de gênero e sexualidade podem ser lidas de diversas formas. Acredito que com algumas eu concorde mais do que outras, e todas elas tem a sua legitimidade. Entro em contato com esse tipo de discussão na Universidade e durante toda a minha formação na Educação Básica de Nível Fundamental e Médio tais discussões não eram tratadas, isso não significa que não existiam e que nos dias de hoje não existam. Usamos outra palavra em inglês para algumas ações discriminatórias, popularizada nas escolas e em outros espaços também, conhecida e reconhecida como o bullying. Isso não seria suficiente para que a dita “ideologia de gênero” fosse aprovada nos estados brasileiros? Diante da recusa em institucionalizar essas discussões nas salas de aulas do país, haverá o silêncio? Os currículos são tão rígidos assim? E as frestas que ele deixa? O trabalho de formiguinha não é considerado? Mais uma vez, como e quanto cada um de nós estamos implicado em questões como essas?

Quem discute? Quem escreve? Quem milita nessa/com/por essas causas marginais? Quanto quer? Quanto pode? Quais os caminhos? Como e onde é compartilhado o conhecimento, a discussão? Há mãos estendidas? Há ouvidos para os sussurros e os berros? Há busca para ruminar as questões que coloca em voga questões de gênero, sexualidade e demais demandas sociais? Construções há muito tempo enrijecidas tem seu ponto de ruptura, vamos romper? Queremos romper? Podemos romper? Lutaremos? É, como diz várias vozes em passeatas de alguns ou de quase todos movimentos sociais: a nossa luta é todo dia e, a cada dia mais tenho a certeza que as micro ações são tão potentes quanto as macros. Uma última questão: vamos lutar, pensar, agir e legitimar as questões marginais?

[1] O Grupo foi formado por Irene Bermúdez, Katherine Rebolledo e Vanessa Proença.

Referências

MISKOLCI, Richard. Cap I e II. In: MISKOLCI, Richard. Teoria Queer: um aprendizado pelas diferenças. Belo Horizonte: Autèntica Editora: UFOP, 2012, p. 21-53.

PELÚCIO. Larissa. Traduções e torções ou o que se quer dizer quando dizemos queer no Brasil? Periódicus, 2014, v.01, pp.15-39.


Texto escrito, originalmente, para a disciplina “Gênero e Sexualidade” do Curso de Psicologia da UFRGS,  ofertada pela Profa. Dra. Paula Sandrine e acompanhada por suas estagiárias docentes Daniela Dell’Aglio e Marilía Saldanha. Tal texto é oriundo de uma observação do cotidiano, onde era necessário tratar sobre “(Des) Construções Identitárias” a partir da Teoria Queer. É um texto experimental, baseado nas referências citadas e nas discussões ao longo do semestre.

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Algumas possibilidades de Intercâmbios Acadêmicos

Ainda bem que isso aqui não é profissão, não é mesmo? Pois, a expectativa era alimentar isso aqui com várias dicas sobre mobilidade acadêmica, mas não hahaha. Não consigo fazer isso aqui com frequência 😦

Na única vez que falei sobre isso aqui, mostrei alguns pontos que envolvem a Mobilidade Acadêmica. A minha via de conseguir isso, foi por meio do Programa Nacional da ANDIFES. Porém, há outras formas possíveis de passar um tempo da sua graduação em outro local. E hoje vou escrever sobre os programas que eu conheço, não por já ter participado de todos eles, mas sim por saber dessas oportunidades e querer compartilhar com vocês.

1- Programa de Mobilidade Acadêmica ANDIFES

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Mas Vanessa, você está em uma mobilidade ou em um intercâmbio? Então, estou em um intercâmbio, por meio de um Programa de Mobilidade Acadêmica. Entendo que intercâmbio seja o deslocamento de um lugar para outro que possibilite a troca: cultural, social, ideológica, linguística entre outros, não necessariamente tal intercâmbio tenha que ser de um país para outro. Esse Programa é possível por um convênio entre as Instituições Federais de Ensino (IFES), onde todas ou quase todas IFES do Brasil participam. Essa Mobilidade pode ser financiada ou não. Para saber mais sobre isso, deixa a preguicinha de lado e entre um seriado e outro dê uma olhada no site da Pró-Reitoria de Graduação da sua Universidade, assim você pode saber como funciona esse Programa na sua Instituição, bem como datas de Editais e essas coisas mais burocráticas.

2- Programa  Erasmus Mundus – Projeto EBW+

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Quer ir para a Europa? Então, preste atenção aqui. O Projeto Euro-Brazilian Windows+ (EBW+) é uma parceria entre 20 Instituições de Ensino Superior tanto da Europa quanto do Brasil na categoria de Instituições Parceiras. E, mais 10 outras instituições, na categoria de Instituições Associadas. O EBW+ é  coordenado pela Universidade do Porto (Portugal) e é o Programa Erasmus Mundus que abriga esse Projeto, financiando-o. O Erasmus é um programa  de cooperação e mobilidade voltada para a área de Ensino Superior, implementado pela Agência Executiva relativa à Educação, ao Audiovisual e à Cultura (EACEA), da Comissão Européia. Sendo assim, essa parceria permite que centenas de estudantes saiam do Brasil e cheguem até algum país da União Européia. Há três “categorias” que podem realizar essa mobilidade: estudantes de graduação, pós-graduação e técnicos das Universidades. Essa parceria está firmada até 2020, então fique atento: é possível passar um tempo na Europa, fazendo uma imersão cultural e não só 😉

3 – Programas de Bolsas de Estudos do Santander Universidades

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O banco Santander possui uma área totalmente dedicada aos Universitários e aos Jovens Profissionais chamado Santander Universidades. Dentre os benefícios que o banco fornece, estão bolsas de estudos para Intercâmbios Universitários por meio de um Programa com seis modalidades de bolsa, sendo eles: Top China e Top España com Edital 2015 encerrado; Fórmula Santander 2015, que beneficia alunos do Brasil, Reino Unido e México e com Edital 2015 previsto para abertura dia 25/5/2015; Bolsas Ibero-Americanas, exclusivo para alunos da graduação de 9 países, porém sua última Edição/Edital foi esse ano :(; Bolsas Luso-Brasileiras, esse programa é exclusivo para as universidades públicas brasileiras e contemplam alunos com interesse em ir para alguma Universidade de Portugal participante, também com inscrições encerradas 😦 e, por fim, Bolsas Ibero-Americanas para professores e jovens profissionais, sem inscrições disponíveis no momento.

4- Ciência Sem Fronteiras

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Acho esse um dos Programas mais polêmicos e conhecidos. É o que mais promove benefícios: há várias vagas além de um bom suporte financeiro. No CsF os estudantes podem ficar de um a um ano e meio fora do país, realizando a sua graduação e no caso de extensão para um ano e meio, aprendendo uma outra língua também, já que o programa prevê o custeio de curso da língua local. O CsF peca, ao meu ver, em dar prioridade as Ciências Tecnológicas e Biomédicas, deixando de lado as Ciências Humanas e isso diz muito sobre a lógica Educacional do país. Porém, você das Engenharias, da Medicina e demais áreas contempladas, não se inibe e não e vai lá fazer seu intercâmbio, viu?! 🙂

Atenção para mais algumas coisinhas: 

  • Todos esses programas  são geridos por um departamento da sua Universidade, seja ela Pública ou Particular, então procure esses locais caso tenha interesse em realizar intercâmbio. Apresentei aqui alguns programas que possibilitam isso, mas talvez haja outros e esses espaços institucionais provavelmente irão, acredito eu, indicar quais são eles.
  • Independente de qual Projeto/Programa forem participar, LEIAM SEMPRE OS EDITAIS. Dez mil vezes se preciso for. Eles são fundamentais não só quanto a datas, mas também para saber detalhes que fazem a diferença como a categoria contemplada para concorrer a uma vaga no programa de intercâmbio, além de documentação, informações sobre a gestão do dinheiro entre outros.
  • Os ganhos com a mobilidade, o intercâmbio são ímpares. Espero que assim como eu, em algum momento, vocês possam realizar esses tipos de troca e crescimento. 😉

Até uma próxima vez, seja lá quando ela for.

Beijos, Van. ;*

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Entre o não e o sim

Ativistas pela descriminalização do aborto no Uruguai fazem manifestação na entrada do Congresso. Foto: Miguel Rojo / AFP.

Não! – é o berro silencioso (ou seria silenciado?) que muitas mulheres vociferam ao descobrirem a sua gravidez oriunda de um abuso sexual ou de uma relação sexual sem camisinha, porque o parceiro (e até ela mesma) gostaria de sentir mais prazer.

Quando sentar, tem que cruzar a perna. Não pode usar saia muito curta, pois se alguma coisa acontecer você, mulher, independente da sua cor, credo, idade ou classe social, será culpada e não vitima. Cantada na rua? Ah! Pelo menos eles te acham bonita. Não se esqueça de que a sua cor predominante é rosa, azul é coisa de menino. Não, você não pode ganhar brinquedos de montar ou carrinhos, lembra? Isso é coisa de menino. Fica aqui com a sua cozinha completa em miniatura. Sua axila e sua vagina, suas pernas e seu buço terão pelos, mas sabe o que é, você tem que tirá-los frequentemente por questões de higiene. Ah! Mas o cabelo, não o corta igual de homem, irão te chamar de sapatão. Tem uns comprimidos que você precisa tomar, todo dia, para não engravidar, ok?

Não! É impossível responder a pergunta “você já se deparou com alguma das frases acima?” com um não. O não também cansa. Cansou grupos de mulheres que decidiram gritar nãos para conseguir sins. O corpo é de cada uma, e cada uma pode decidir por ele. Diferenças existem sim, direitos também e não é gênero, raça, cor, religião e estereótipo corporal que decidirá quem pode e quem não. Na verdade, nem a Constituição muitas vezes garante isso, uma parcela é deixada de lado, vez ou sempre.

Não, não é mais aceitável o silêncio. Não é aceitável mais coisas absurdas. Não é aceitável mais a brutalidade que muitas mulheres ficam submetidas quando devem decidir ter ou não um filho. Isso é saúde, educação, crenças, um monte de fatores intercruzados e construídos socialmente que ditam regras, muitas vezes não entendidas e/ou percebidas, que gera sofrimento.

Talvez seja necessário aqui assumir uma posição a favor ou contra o aborto, e eu assumo que sou a favor de uma regulamentação dessa prática. Levando em consideração o direito a vida, sim. Levando em consideração todo o contexto que a mulher, enquanto dona de si e atora social, está inserida. É preciso questionar: em que condições o nascituro foi gerado? Qual a vontade da mulher? Quais os direitos que estão sendo colocado em cena e aqueles que permanecem atrás do palco?

Desde os anos 60 até hoje grupos feministas têm como pauta a descriminalização do aborto. O corpo é nosso, mulheres, e podemos dizer não diante das situações. O corpo é nosso, e podemos lutar por esse direito, sempre. O corpo é nosso, e não podemos ficar trancafiadas nas redes sociais e nos espaços acadêmicos, de certa forma tão restritos, teorizando ou mantendo na superfície essa discussão.

Sim, a nossa sociedade é heteronormativa. Sim, isso é tão naturalizado que não percebemos. Periferia ou centro, essa discussão precisa sair dos espaços institucionais e virtuais e ganhar, cada vez mais, a cidade, o povo que acha ok discursos e lógicas que aprisionam, ou que não conseguem perceber outras lógicas. É preciso ganhar espaços para romper e, principalmente, tencionar os discursos naturalizados, que nos cerceiam e nos dizem não a cada escolha de roupa.

O corpo é meu e a escolha também. Questione entre o sim e o não, e então escolha por você, com você e pelas trocas possíveis em meio ao contexto micro e macro no qual está inserida.

Entenda, então, que talvez não se trate “só” de descriminalização do aborto, se trata de tramas tão dramáticas e sutis que é preciso um respirar fundo e ir, entre o não e o sim.


Texto escrito, originalmente, para a disciplina “Seminário em Psicologia Social: Democracia, Estado Laico e Novos Movimentos Sociais” do Curso de Psicologia da UFRGS,  ofertada pela Profa. Dra. Neuza Maria de Fátima Gureschi e acompanhada por seus estagiários docentes Wanderson Vilton Nunes (doutorando) e Rodrigo Kreher (mestrando). Esse texto (aqui, com algumas alterações em relação ao original) foi uma proposta de atividade para pensar, em aula, sobre a questão da legalização do aborto. Os textos abaixo foram utilizados como provocação de escrita:

–  A Contribuição dos Movimentos Sociais Feministas e a Política Pública Nacional de Atenção às Mulheres em situação de abortamento – Mariana Diôgo de Lima Costa, Alba Jean Batista Viana e Eduardo Sérgio Soares Sousa.

Políticas feministas do aborto – Lucila Scavone.

Estatuto do Nascituro.

Estatuto da Família.

Vamos falar sobre Mobilidade Acadêmica?

 Olá, tudo bem com vocês?  🙂

Se você está aparecendo por aqui pela primeira vez, meu nome é Vanessa. No momento em que escrevo esse texto me encontro em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul – BR. Não sou daqui e confesso que ainda me sinto esquisitamente feliz nessa cidade. Vim para cá há uma semana  para realizar Mobilidade Acadêmica. Mas, o que é isso? Do que se alimenta? Bom,  vou tentar falar um pouco sobre isso para vocês abaixo, vamos lá?

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O que é Mobilidade Acadêmica?
Na verdade, Mobilidade é o nome de um Programa da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), que tem como objetivo regulamentar e possibilitar uma cooperação técnica-científica entre as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES).

Tanto a UFMT quanto a UFRGS são conveniadas a esse Programa de Mobilidade da ANDIFES. Foi ele que me permitiu sair do ninho por um semestre. Agora, faço Psicologia na UFRGS e não mais na UFMT. Dá saudade sim, mas não mata ninguém.

Quantas instituições estão vinculadas?
A ANDIFES disponibiliza um documento em seu site onde constam 64 IFES conveniada a esse Programa. Corre lá e vê se a sua instituição não está no meio e comece a pensar na possibilidade de fazer mobilidade 😉

Quem pode participar?
Você  é aluna ou aluno de alguma IFES? Então, pronto! Você já pode participar!
Aliás, calma. A burocracia existe e é preciso se ater aos seguintes critérios para participar:

  • Ter concluído 20% da sua graduação. Isso equivale aos dois primeiros semestres do seu curso.
  • Caso a pessoa tenha interesse em sair para mobilidade no seu terceiro semestre, só poderá realizar isso se tiver até duas reprovações (uma em cada semestre). Então, meus caros, tomem cuidado com aquelas aulas faltadas para ir ao bar com os amigos. Se você quer sair em semestres posteriores ao terceiro, devem atentar-se a essas reprovações. É só uma em cada semestre que antecede a sua ida.
  • Está no último ano da sua graduação? Desculpas, mas não há mais tempo para você. As saídas para Mobilidade exigem que você tenha 20% da sua graduação concluída e que falte até 20% do curso para você terminar. 😦

Ok. Quero participar, como faço?
Atente-se aos editais da Pró-Reitoria de Graduação da sua IFES, é o setor de Mobilidade Acadêmica de cada IFES que cuidará dos tramites institucionais do aluno ou da aluna. No documento de Convênio com a ANDIFES consta que as Instituições devem manifestar interesse até 31 de maio do ano vigente, para os alunos que desejam ingressar no segundo semestre letivo em outra Instituição. Ou, até 31 de outubro, caso o interesse seja no primeiro semestre letivo do próximo ano.

É por meio dos editais que os alunos poderão se informar sobre os prazos de entrega de documentos, por exemplo, e quais são eles. Além de critérios que cada instituição pode expor nesse edital.  São os editais que irão apresentar aos alunos um cronograma de datas ,de acordo com os prazos já estipulados pelo Programa.

Ganho bolsa para fazer essa mobilidade?
Bom… depende. O Edital ao qual eu concorri previa bolsa para os alunos selecionados. Caso tivesse algum aluno que manifestou interesse por meio do Edital e não foi selecionado mas, mesmo assim, quisesse fazer mobilidade, era só informar à Pró-Reitoria para que eles enviasse o interesse do aluno para a IFES desejada.

Atenção! Nesse tipo de Edital duas coisas estavam em jogo para mim:

  1.  Conseguir uma bolsa que me ajudaria no período em que estivesse na IFES para a qual manifestei interesse em ir. Sendo assim, esquece isso de que haverá passagem, plano de saúde e vale alimentação na conta da Dilma, não estamos falando de CsF (brimks, pois esse programa tem restrições também e volto em outro momento para falar dele). A bolsa conseguida via Edital só é depositada em sua conta a partir do mês em que suas aulas começam (por favor, alguém que libera minha bolsa, se você estiver lendo, já pode liberar).
  2. Após ter sido aprovada nesse Edital interno da UFMT, concorrendo a bolsa, vem o momento de vácuo eterno, dependendo da Universidade que você escolher para ir. Após o Edital, a Pró Reitoria de Graduação da UFMT entrou em contato com a da UFRGS. Esse contato é necessário para ver a disponibilidade de vaga para o meu curso e aguardar o envio da Carta de Aceite. A partir disso, a burocracia para oficializar que eu sou uma “aluna em mobilidade” é efetivado.

Então, envolve um tempo de espera e ansiedade, caso você seja igual eu.
O segundo ponto acima ocorre caso o aluno queira ir para Mobilidade, independente de ter bolsa ou não.

Como escolher a melhor IFES?
Isso é preciso ver com cuidado. Eu escolhi UFRGS por algumas razões, como conhecer algumas pessoas aqui, já conhecer a Universidade por meio de Eventos Acadêmicos e parcerias que a UFRGS tem com o grupo de pesquisa que participo na UFMT. Então, isso conta muito: estar mais familiarizada com o lugar.

Mas, se você quer ir para Federal do Ceará por conta das belas praias ou para a Federal de São Paulo e não conhece nenhum desses lugares, eu tenho uma dica: se joga. É possível obter informações sobre esses lugares na internet, grupos no Facebook estão aí para isso. Desafios são bons, eu sei e você sabe, e se você não tem nada a perder o que te impede de ir?

Um fator que auxilia na escolha também é o Currículo do Curso. A Psicologia da UFRGS é diferente da UFMT. Faço disciplinas aqui que nunca faria lá, além de discussões que nunca tive durante a graduação. Estou quase no final do curso, no final desse semestre faltará um ano, e em questões acadêmicas (mas não só) esse momento está sendo muito importante.

Eu só posso escolher fazer Mobilidade para o meu Curso?
Eu não sei muito bem o motivo de ter colocado isso aqui, pois a resposta é meio óbvia: sim, só pode sair da sua Universidade para fazer o mesmo curso em outra, com disciplinas diferentes. Vou colocar alguns pontos agora sobre como fiz para escolher as disciplinas e qual alternativa eu vejo caso você tenha interesse em algum curso que não o seu. (Juro que já está acabando e você pode ir assistir a sua série favorita).

  • Primeiro é preciso que o aluno saiba que você vai fazer um semestre em outra Instituição. Isso significa pensar em escolher disciplinas na Instituição para qual você quer ir, de maneira que elas possam ser equivalentes e eliminadas posteriormente. Então, escolhi disciplinas que fossem mais próximas das que faltam eu terminar na UFMT e também que eu tivesse mais interesse. E, depois dessa primeira semana, posso dizer que fiz boas escolhas. Quando eu chegar na UFMT, abro um processo e posso aproveitar as disciplinas que fiz aqui, lá e formar com a minha turma, espero eu 😀
  • Se tem algum curso que você deseja conhecer, escolha apenas uma disciplina dele na Universidade para a qual você vai. Ah, e isso pode ser feito na sua própria Universidade… na verdade, não sei se em todas, mas na UFMT pode.
  • Não preencha sua semana com mil aulas por dia. A  Universidade é bem mais do que aulas, vocês não sacaram isso ainda? Sem contar que vocês estarão em um lugar diferente, explore-o (essa última frase é uma dica para mim mesma).

Vale a pena?
Sim, claro, sem a menor dúvida.
“Não tenho recordação de felicidade igual, é tão diferente de tudo que senti que é deliciosamente assusta-dor.”

Para saber mais…
Pode parecer que sim, mas não sei isso sozinha, veja só:

  • Site da ANDIFES que tem mais detalhe da coisa toda.
  • Fiquem de olho no calendário acadêmico e/ou site da Pró Reitoria de Graduação da Universidade de vocês. Lá provavelmente tem informações gerais sobre documentação e editais anteriores.
    • Pró Reitoria de Graduação UFRGS
    • Pró Reitoria de Graduação UFMT

 

Textão né? Mas, acredito que tenha todas as informações básicas para vocês saberem um pouquinho sobre Mobilidade Acadêmica.

Vai ter mais posts assim, informativos. Caso tenham alguma temática em específico ou dúvida sobre essa é só deixarem nos comentários.

Obrigada por chegar até aqui.

Beijos,
Van.